
CULTURA
DA VIDEIRA
Introdução
Em função
de a uva tratar-se de fruta cultivada há séculos, com mercados
consolidados tanto para o consumo na forma de fruta fresca como
na forma de vinho, seu cultivo encontra-se espalhado por todos
os continentes, mas com nítida superioridade de países europeus,
como Itália, França e Espanha. Fora desse bloco, destacam-se os
Estados Unidos e a Turquia. Já no Brasil os estados que mais se
destacam são, o Estado do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná,
Santa Catarina e Na região do Trópico Semi-Árido do Brasil e,
mais especificamente, no Vale do Submédio
São Francisco.
O cultivo
de uvas para o consumo in
natura adquiriu relevância econômica no plano internacional
no final da década de setenta, quando o avanço nas tecnologias
aplicadas à produção permitiu obter e ofertar um
produto de qualidade nos diferentes mercados consumidores, favorecendo o incremento
constante do consumo e exportação.
Os fatores
técnico-econômicos de fundamental importância para o desenvolvimento
de uma viticultura economicamente viável para fins de exportação
são os seguintes:
Ø
Plantio de cultivares adaptadas
às condições climáticas e que tenham aceitação pelo mercado consumidor;
Ø
Técnicas culturais mais adequadas
à(s) cultivar(es) explorada(s);
Ø
Avaliação precisa dos custos de
implantação e produção, assim como dos mercados consumidores;
Ø
Implantação de adequada infra-estrutura
para colheita e embalagem do produto, com conservação;
Ø
Frigorífica;
Ø
Disponibilidade de mão-de-obra especializada;
Ø
Montagem e operação de uma eficiente
estrutura de comercialização;
Ø
Disponibilidade de adequadas vias
de acesso aos locais de embarque;
Ø
Acesso a linhas de crédito para
implantação dos vinhedos e construção de infra-estrutura de packing house.
Um estudo
minucioso de tais fatores é indispensável para obter-se êxito
com a produção de uvas para exportação. A inexistência ou deficiência
de um destes fatores, numa região que deseja desenvolver uma viticultura
tecnificada e rentável, compromete os futuros empreendimentos
com problemas não só técnicos, mas principalmente econômicos,
pela falta de rentabilidade do próprio processo produtivo.
Pretende-se, com este trabalho,
ressaltar o desenvolvimento de um processo produtivo que abranja
todos os fatores associados à produção de uvas para a exportação.
Clima
O clima
possui forte influência sobre a videira, sendo importante na definição
das potencialidades das regiões. Ele interage com os demais componentes
do meio natural, em particular com o solo, assim como com a cultivar
e com as técnicas agronômicas da videira.
As videiras
européias (Vitis vinifera L.) são, na sua maioria, muito sensíveis ao ataque
de doenças fúngicas, cuja incidência
está estreitamente relacionada
com as condições climáticas de temperatura, precipitação e umidade
relativa.
Em decorrência
destes fatores, a viticultura disseminou-se em regiões de clima
árido ou semiárido, com média de
precipitações abaixo de 800 mm anuais, e que, além disto, apresentam
durante o ciclo fenológico temperaturas elevadas, baixa umidade relativa,
pouca nebulosidade e alta insolação.
Temperatura
Temperatura do ar apresenta diferentes
efeitos sobre a videira, variáveis em função das diferentes fases
do ciclo vegetativo ou de repouso da planta, conforme exposto
a seguir.
Pluviometria
Aprecipitação pluviométrica
é um dos elementos meteorológicos mais importantes na viticultura. A videira é uma cultura bastante resistente
à seca. Para a videira influem não somente a quantidade total
de chuvas, mas também sua distribuição ao longo do ciclo vegetativo.
As chuvas de inverno têm pouca influência sobre a videira. É importante
que os solos apresentem disponibilidade hídrica adequada no período
de brotação das plantas. Durante a primavera, as chuvas são importantes
para o desenvolvimento da planta, porém, em excesso, podem favorecer
o desenvolvimento de algumas doenças fúngicas da parte aérea, bem como afetar fases importantes
da videira, como a floração e a frutificação, causando baixo vingamento de frutos e desavinho.
A importância
da umidade relativa do ar está diretamente relacionada com o estado
fitossanitário da cultura da videira.
Quando a umidade do ar é baixa, a maioria dos fungos não encontra
um ambiente favorável para se desenvolver. Com isto, obtêm-se
uvas mais sadias, sem o uso excessivo de defensivos.
Luminosidade
A videira
é uma planta exigente em luz. O manejo do dossel vegetativo do
vinhedo deve proporcionar uma boa exposição foliar à radiação
solar. Durante o período de maturação das uvas a evolução do teor
de açúcar é favorecido peça ocorrência de dias ensolarados.
Ventos
No período
das chuvas, a ocorrência de ventos suaves é benéfica, por facilitar
a secagem das folhas, reduzindo a incidência do ataque de fungos.
Já os ventos fortes e constantes são, ao contrário, muito prejudiciais,
por dificultarem a condução das plantas e produzirem queimaduras
nas folhas e danos mecânicos nos frutos.
Cultivares
A viticultura é uma atividade bastante diversificada no mundo
e também no Brasil. A finalidade da exploração, a região de cultivo,
o solo e o clima predominantes influenciam diretamente na escolha
das cultivares a serem utilizadas.
A diversidade
genética encontrada tanto dentro das espécies do gênero Vittis como entre elas é grande, permitindo , quase sempre, a escolha do material mais adequado,
entre as centenas de cultivares existentes na cultura. Esse número
é ampliado ano a ano como resultado de diversos programas de melhoramento
no mundo.
Itália
Essa cultivar está apta a produzir, em plantios
comerciais, cachos volumosos com um peso médio de 500 g. Quando
os cachos são bem raleados, produzem bagos grandes, com película
grossa de coloração amarelo-âmbar, e sabor levemente moscato.
Se for bem conduzida em sistema de latada, a produtividade dessa
cultivar chega a 40t por hectare em um ano
Niágara Branca
É a principal
uva americana utilizada para a produção de vinho de mesa, sendo
muito apreciada pelos consumidores devido ao intenso aroma e sabor
característico que confere ao vinho. Além de expressiva área cultivada
nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul e de Santa
Catarina, a Niágara Branca encontra-se difusa em pequenas áreas em várias
partes do sul do Brasil e, também, no Sul de Minas Gerais, onde
é empregada na elaboração de vinhos caseiros e, também, para consumo
in natura. Niágara Branca é uma cultivar
fértil e bastante resistente às doenças fúngicas.
Pode ser plantada de pé-franco mas normalmente
é enxertada.
Niágara Rosada
Surgiu
de uma mutação somática natural da Niágara Branca, no município de Jundiaí, (SP), em 1933. Possui
as mesmas características de Niágara
Branca, exceto a cor, mais atraente ao consumidor.

Isabel
Apesar
de todos os esforços para substituir esta cultivar desde a década
de 1930, a Isabel persiste com 50% da uva produzida no Rio Grande
do Sul e é a principal cultivar plantada em Santa Catarina. Origina vinho
típico, em anos chuvosos pouco coloridos, apreciado por uma faixa
específica de consumidores. O suco de Isabel é a
base do suco brasileiro para exportação. É uma cultivar de Vitis labrusca, muito bem adaptada às condições climáticas do Sul do Brasil.
Fornece produções abundantes em poda curta; resistente ao oídio e às podridões do cacho, porém está sujeita a perdas
pela incidência de antracnose e de míldio. Normalmente é enxertada mas pode ser plantada de pé-franco; vinhedos de pé-franco
normalmente exigem um período de formação mais longo mas atingem
80-100 anos com produções econômicas.

Isabel Precoce
É um clone
de Isabel, decorrente de mutação somática, selecionado em 1993
num vinhedo comercial situado no município de Farroupilha.
Apresenta as características gerais da tradicional cultivar Isabel,
entretanto, tem a maturação antecipada em 35 dias. Foi avaliada
na Embrapa Uva e Vinho e a partir do ano 2000 começou a ser difundida
como alternativa para a ampliação do período de produção e processamento
de uvas para vinhos tintos de mesa e suco de uva. As condições
para cultivo de Isabel Precoce são as mesmas da cultivar original.
Concord
É a labrusca
mais procurada para a elaboração de suco pelas características
de aroma e sabor que confere ao produto. Em geral é cultivada de pé franco com bons resultados. É bastante produtiva
quando em poda longa. Apresenta alta resistência ao míldio e ao
oídio, porém, mostra-se um pouco sensível à antracnose, doença
que pode causar perdas se não for convenientemente controlada
na fase inicial do crescimento vegetativo. A película da uva é
fina, por isso, bastante susceptível ao rachamento
de bagas quando ocorre tempo chuvoso na fase de maturação. Certos
vinhedos apresentam abortamento floral com prejuízos significativos.
As causas deste problema ainda não são conhecidas, podendo ser
de ordem nutricional ou de origem fitossanitária. Concord é cultivada
principalmente nos três Estados do Sul, sendo também conhecida
como Francesa e Bergerac.
Cultivares de uvas
para vinho e/ou suco
Uvas para vinho devem apresentar características que as recomendem
para esse uso, como boa produção, coloração agradável, sabor vinoso, aroma típico. Por definição clássica, vinho é o produto
da fermentação dos frutos de Vitis vinifera. Entretanto, muitas cultivares
de veníferas o híbridos, apesar de aptidão
razoável para determinado fim, acabam sendo utilizadas para outros
fins.
Cabernet Franc
De
origem francesa, é a principal vinífera
tinta cultivada no Brasil (RS). De grande vigor, as plantas produzem
relativamente pouco. Os cachos são alados, pequenos (70-150g).
As bagas são pequenas, esféricas, pretas. Maturação média a tardia.
Ela exige um bom controle fitossanitário.
Apesar de suas fracas características agronômicas, o vinho produzido
é de primeira qualidade.
Riesling Itálico
Produtora
de vinhos muito populares no Brasil, é conhecida erroneamente
por esse nome. É originária da França
(Meslier de Champagne), ao contrário
da original Riesling (
Renano), que é de Reno, na Alemanha.
De cachos médios, cônicos, compactos. Bagas pequenas a média,
redonda, amarelo-esverdeadas. Polpa deliqüescente,
aromática.
Bordô
È
o nome comum de cultivar Ives, de origem incerta,
obtida por Henry Ives. Também chamada de Folha de Figo,
na região de Caldas, MG, é cultivada em área considerável nos
Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. De bom
vigor e produtividade, apresenta alta resistência às doenças fúngicas.
Os cachos são pequenos (150g), cilíndricos, às
vezes alado e medianamente compacto. As bagas são pequenas
(2 a 3g) , arredondadas, pretas, com
polpa de textura fundente a média e
sabor foxado.
Seyve Villard 5276
Também denominada Seyval, esta cultivar é uma híbrida complexa altamente produtiva
e que apresenta alto potencial de açúcar, normalmente atingindo
mais de 20ºBrix. Resiste ao míldio
mas é sensível à antracnose, necessitando controle no início
do ciclo vegetativo. Também é sensível à
filoxera galícola, às vezes exigindo
tratamentos para seu controle. Deve ser enxertada e exige adubações
abundantes para suportar as grandes produções sem perda significativa
do vigor e da longevidade. Origina vinho branco de mesa de muito
boa qualidade. Durante algum tempo foi comercializada no Rio Grande
do Sul como uva fina, em geral como Sauvignon
ou como Riesling.
Os dados apresentados podem variar
significativamente de ano para ano e de local para local,
além da possibilidade
de variações devidas ao sistema de manejo empregado
no vinhedo.
Couderc 13
Introduzida na década de 1970 pela
Estação Experimental de Caxias do Sul, foi difundida com relativa
facilidade por ser muito rústica e produtiva. O vinho é pouco
ácido e neutro em sabor, podendo ser cortado com outros vinhos
comuns. É cultivada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina,
sendo que resultados de pesquisa a indicam como opção também para
o Sul de Minas Gerais. É uma cultivar resistente às doenças fúngicas, entretanto, apresenta baixo potencial glucométrico.
Propagação
Normalmente, a videira é propagada de forma vegetativa por estaquia
e enxertia.
As
plantas destinadas ao fornecimento das estacas serão selecionadas,
a priori, de acordo com as seguintes características: crescimento
vigoroso, alta produtividade, bom aspecto sanitário (livres de
doenças e de pragas) e devem apresentar ramos bem lignificados
e formados.
As estacas que se destinam ao plantio
em viveiro ou diretamente no campo são cortadas com 25-30 cm de
comprimento e com duas a três gemas.
O corte
da base das estacas é feito sobre o nó; o do ápice é feito três
a quatro centímetros acima da gema superior, o que evita o ressecamento da mesma. As gemas que ficarão enterradas são
eliminadas, para que haja maior absorção de água, facilitando
o enraizamento e evitando a emissão de ramos ladrões.
Preparo do material
para enxertia
Produtora
Os enxertos
ou garfos são fragmentos de vara da cultivar produtora que apresentam
duas gemas. A extremidade superior é cortada
reta, três a quatro centímetros acima da gema, e a inferior
é cortada em forma de cunha.
A seguir
enrola-se o enxerto com fita plástica, deixando-se somente as
gemas e a cunha descobertas. A extremidade superior deve ser bem
protegida, para evitar-se o dessecamento do enxerto.
Porta-enxertos para enxertia de
mesa
São fragmentos
de vara da cultivar escolhida como porta-enxerto. Medem em torno
de
25 - 30 cm e possuem duas a três gemas. O corte
inferior é feito bem junto ao nó e o superior 6 - 8 cm
acima da gema superior. As gemas são eliminadas para favorecer
o enraizamento e também para evitar que haja emissão de ramos
ladrões.
Porta-enxertos para enxertia de
campo
As mudas
de porta-enxertos são plantadas no campo
e seus ramos, em número de três, são conduzidos na vertical. Todas
as brotações secundárias são eliminadas, o que favorece o engrossamento
dos ramos que serão enxertados. Por ocasião da enxertia, cortam-se
dois ramos a 20 cm do solo e eliminam-se todas as folhas abaixo
do corte.
Enxertia
A enxertia
consiste na união do enxerto com o porta-enxerto,já devidamente preparados. Na enxertia de garfagem de fenda cheia, o enxertador deve observar a seguinte
seqüência:
a)
Cortar verticalmente a estaca ou os ramos do
porta-enxerto, abrindo uma fenda de dois a três centímetros,
sem atingira nó imediatamente abaixo do local do corte;
b)
Introduzir nessa fenda o enxerto com a extremidade inferior cortada
em cunha;
c)
Certificar-se do estabelecimento de contato entre as cascas do
enxerto e do porta-enxerto, ainda que tal contato só ocorra de um lado.
Neste caso, a gema do enxerto próxima à cunha deve ficar voltada
para o lado em que as cascas se unem;
d)
Após a colocação do enxerto na fenda do portaenxerto, fixaras mesmos com fita de plástico,
para evitar um possível deslocamento do enxerto, o que prejudicaria
a enxertia.
Na enxertia
de campo, pode-se utilizaras plantas de porta-enxerto, com os
ramos verdosos e material do enxerto
em início de lignificação pois, segundo
observações feitas, a cicatrização se processa com maior rapidez
e de maneira mais uniforme, não se produzindo, aparentemente,
nenhuma necrose dos tecidos.
A operação
de enxertia pode ser realizada em qualquer época do ano; o crescimento
da muda, entretanto, é menor no período mais frio, ou seja, de
meados de maio a agosto. Os processos de enxertia citados apresentam
alto índice de pega. Sugere-se, então, a enxertia de mesa por
apresentar as seguintes vantagens:
É possível não só antecipar em três meses ou mais a primeira colheita,
como tornar a formação da muda mais econômica;
Através da seleção das mudas que formarão o vinhedo, obtém-se
maior homogeneidade da área;
Há a redução na emissão de ramos ladrões provenientes do
porta-enxerto;
É possível
conseguir plantas vigorosas, semelhantes às obtidas com a enxertia
de campo.
O
que se pretende com o cultivo da videira é produzir uvas durante
muitos anos, para isto é importante que o solo da área a ser implantada
seja bem preparado e que nele se façam previamente todas as melhorias
necessárias, antes da instalação dos sistemas de condução e irrigação,
e do plantio das mudas.
Localização
O vinhedo
deverá ser localizado em área com topografia apropriada para irrigação.
Deve-se fazer um estudo criterioso das características do solo
com relação a textura, profundidade e fertilidade. Os solos que apresentarem
um perfil pouco profundo, com menos de um metro, devem ser descartados
para o cultivo de uvas, pois a videira não se adapta a solos mal
drenados e com lençol freático superficial.
As fileiras
de plantio devem ser orientadas no mesmo sentido dos ventos dominantes,
pois as videiras se ressentem com fortes rajadas de vento, que
lhes são prejudiciais, não só por provocarem a quebra de ramos,
mas também por causarem danos físicos nos cachos, tornando-os
impróprios para a comercialização, por se apresentarem excessivamente
manchados.
Quebra-Ventos
Na implantação
de um vinhedo deve-se dispor de área livre para instalação de
quebra-ventos formados por espécies
vegetais, tais como eucalipto, leucena,
bananeira e capim Cameron. Pode-se também, utilizar como quebra-vento
telas de nylon, com 70% de densidade, colocadas alto, na vertical,
do lado em que penetra o vento, em toda a extensão do vinhedo.
Desse modo, consegue-se evitar que os bagos sofram danos mecânicos
causados pelo vento, sob a forma de escoriações superficiais que
desqualificam a uva no processo de comercialização.
Preparo do solo
Limpeza
da área
Deve-se
eliminar do terreno toda a vegetação existente. de
forma a permitir o total aproveitamento do solo. Essa limpeza,
que consiste nas operações de desmatamento, roçagem
e destocamento da área, deverá
ser realizada quatro meses antes da data
prevista para o plantio, o que resultará em tempo para a execução
dos trabalhos subseqüentes de sistematização da área, análise
do solo, correção, instalação do sistema de irrigação, confecção
do sistema de condução e outros.
Sistematização da área
Conforme
o método de irrigação a ser utilizado, o nivelamento do terreno
poderá ser aconselhável. Entretanto, a remoção de solo deve ser
mínima, para que não ocorra exposição do subsolo.
Análise do solo
Logo após
a limpeza do terreno, três meses antes do plantio, coletam-se
amostras de solo representativas da área onde será implantado
o vinhedo, num perfil com profundidade média de 35
cm. Tais amostras são enviadas a laboratório especializado em
análise de solo para averiguação das necessidades de calagem e
fertilização do terreno.
Calagem
Na hipótese
do laudo da análise de solo assinalar
a necessidade de cal agem, esta deverá
ser feita de 30 à 60 dias antes do plantio, procurando-se sempre
colocar calcário suficiente para que o solo atinja um pH em tomo
de 6,0 - 6,5.
Gradagem e aração
Após a
distribuição do calcário é aconselhável a operação de gradagem, a fim de incorporar o corretivo ao solo, seguida
de uma aração profunda, revolvendo-se uma camada
de 20 a 40 cm. No caso de solo com camada compacta e desunifom1e, pode-se utilizar com vantagens o subsolador,
uma vez concluída a aração.4
Sulcagem para adubação
básica
Por causa
do pequeno espaçamento entre plantas nas linhas dos vinhedos,
recomenda-se a abertura de sulcos para adubação. Pode-se também
realizar a adubação por processo convencional de abertura de covas
(40 x 40 x 40 cm). Os sulcos são abertos com uma profundidade
mínima de 40 cm, e no sentido das linhas de plantio.
Implantação do sistema
de irrigação
O sistema
de irrigação a ser utilizado, seja qual for, deverá ser implantado
antes de realizar a adubação básica. O trabalho de instalação
do sistema de irrigação é, em geral, realizado pela empresa que
fornece o equipamento.
Adubação básica
A adubação
básica deverá ser realizada de 15 a 30 dias antes do plantio,
de forma contínua, nos sulcos abertos para este fim. Aconselha-se,
inicialmente, o uso de esterco de caprino ou de bovino
na base de 20 litros por planta, para dar melhores condições físicas,
químicas e microbiológicas ao solo, o que irá favorecer a absorção
dos nutrientes minerais pelas plantas: Os nutrientes minerais
fósforo e potássio serão utilizados segundo as quantidades recomendadas
no Quadro 1, de acordo com o resultado da análise.
| Nutriente |
Fósforo (P-mg.dm-3) |
Potássio (cmolc.dm-3) |
| Quantidade no solo |
0-10 |
11-20 |
21-40 |
0-0,10 |
0,11-0,20
|
0,21-0,40
|
| Quantidade a aplicar
(g/planta) |
150 |
100 |
70 |
80 |
50 |
30 |
Após a
adubação, fecham-se os sulcos, de maneira que haja a incorporação
dos adubos.
Na região
do Submédio São Francisco, o
sistema de condução tradicionalmente
adotado para a videira é a latada.
Área
É aconselhável a construção de latadas com fileiras medindo até
200 m, e tendo o mesmo comprimento dos lados, cobrindo uma área
de quatro hectares. Desse modo, facilitam-se as
práticas de cultivo e reduzem-se os custos de construção. Entre
as latadas são abertas ruas suficientemente largas para permitir
a manobra de máquinas.
Espaçamento
Deve ser
definido antes de se traçar e construir a latada. Para cultivares
enxertadas sobre portaenxertos
vigorosos, o espaçamento pode ser de 3
x 3 m ou 4 x 2 m: para cultivares enxertadas em portaenxertos
menos vigorosos, pode ser de 3 x 2,5 m ou 3 x 2 m. As distâncias
entre fileiras inferiores a 3 metros não são aconselháveis, uma
vez que dificultam os trabalhos mecanizados.
Traçado
Definida
a distância de plantio e preparado o terreno, esse pode ser demarcado
da seguinte forma:
i. Traçado
das linhas principais: crava-se uma estaca
num dos cantos em que ficará a latada, a partir daí traça-se um
ângulo reto para que a latada fique devidamente retangular ou
quadrada. Para formar o ângulo reto utiliza-se uma corda marcada
com as distâncias entre as fileiras; a 4ª marca
coincidirá com a estaca fixada no ponto A, conforme se vê na;
a 8ª marca
deverá corresponder à estaca no ponto B, enquanto a 13ª se ajustará
com a primeira em C. Prolongando-se os lados AC e AB formam-se
as linhas principais da latada.
ii. Traçado das linhas
de plantio: na linha lateral em que estão demarcadas as distâncias
entre as linhas, faz-se um outro ângulo reto, demarcando-se
uma nova linha de plantio (BD) paralela a
primeira (AC).
iii. Demarcação da área:
com base nos dois ângulos retos que foram traçados na área, demarca-se
a linha A'B', cuja distância deve ser
igual à da linha A'B', comprovando que os ângulos foram bem traçados. Sobre
a linha A'B' marca-se, com piquetes,
a distância entre as linhas de plantio, e a partir daí marcam-se
todas a linhas de plantio da área.
Armação da estrutura
da latada
Completada a demarcação, faz-se
a distribuição dos moirões e das estacas na área, de modo a colocar
um moirão em cada canto da latada e estacas mais grossas em cada
extremidade das linhas de plantio, enterradas num ângulo de 60°
com o solo. A cada poste corresponderá um esticador, destinado
a sustentar o peso da linha de plantas.
Distribuição dos
arames
Uma vez
assentados os postes, procede-se ao esticamento
dos arames. Começa-se pelos fios de nº 10 nas linhas de plantio,
seguindo-se os fios de nº 12, distribuídos perpendicularmente
às linhas de plantio a cada 6 m, os quais sustentarão os fios
de nº 14, que serão colocados a cada 0,50 m nas entrelinhas. Ver
o esquema apresentado na.
A latada
deverá ficar bem esticada, a 2m de altura, pois com o peso das
frutas há sempre o risco de que fique muito baixa, tornando-se
inadequada à realização dos trabalhos mecanizados.
Fig. 11.
Sistema de condução de latada
As mudas
do porta-enxerto ou da produtora de pé-franco
ou enxertada poderão ser levadas para o campo com dois a três
meses de idade, desde que tenham sido bem protegidas do ataque
de pragas e doenças.
Época
Havendo
disponibilidade de mudas, o plantio pode ser efetuado em qualquer
época do ano. No entanto, para minimizar os custos com irrigação,
aconselha-se o plantio no início da estação chuvosa (dezembro).
Covas
Devem
ser de tamanho suficiente para acomodar o sistema radicular da
muda. São abertas no camalhão que se
formou sobre a linha de adubo depositado no fundo do sulco de
adubação.
Tutoramento
Antes
de plantar a muda ou imediatamente após, enterrar um tutor que
conduzirá a brotação verticalmente até o arame do sistema de condução.
Irrigação
Imediatamente após o plantio, deve-se
irrigar abundantemente a área, de modo que o nível de umidade
no solo chegue a capacidade de campo
(Cc). Essa primeira rega favorece o pegamento das mudas, pelo fato de colocar suas raízes em contato
com os nutrientes previamente incorporados nos sulcos de adubação.
Práticas Culturais
Durante
a fase inicial de crescimento, que se completa
na primeira poda de frutificação, deve-se ter cuidados
especiais com as pequenas videiras, executando todas as práticas
culturais necessárias ao bom desenvolvimento da cultura. As práticas
de poda de condução, amarração, limpeza da área, combate à formiga,
tratamentos fitossanitários e irrigação devem ser realizadas dentro de um cronograma de trabalho
para que as plantas desenvolvam-se rapidamente, entrando em produção
precocemente.
Poda de condução
e amarração
Após o
plantio, conserva-se um Único ramo, que é conduzido até a latada,
amarrado convenientemente ao tutor, a fim de obter uma planta
de tronco bem ereto e evitar que se quebre pela ação do vento.
Os ramos ladrões que saem do portaenxerto e as brotações laterais são eliminadas ainda
novas, evitando-se desse modo a com petição
com o ramo que está sendo conduzido. Quando o ramo ultrapassar
a latada de uns 30 cm, procede-se à sua poda, deixando-se a gema
imediatamente abaixo do sistema de condução. Quando as
gemas apicais do ramo podado brotarem, deixam-se apenas as duas
Últimas brotações, que darão origem aos braços primários.
Limpeza
A partir
do plantio é indispensável conservar as fileiras de plantas sempre
limpas, para evitar que as mudas novas sejam abafadas pelas ervas
daninhas. Nas entre linhas utiliza-se a roçadeira
ou enxada rotativa para manter a vegetação rasteira ao solo.
Combate às formigas
Na fase
inicial de desenvolvimento das videiras é muito importante que
se dê combate eficiente às formigas, pois se estas atacarem na
época de aparecimento das primeiras folhas, é praticamente inevitável
a perda das mudas. A melhor hora para
localizar os caseiros e realizar seu controle com um formicida
adequado é a partir das 17 horas.
Tratamento fitossanitário
Na fase
de crescimento das plantas é necessário proceder ao controle preventivo
das doenças passíveis de ocorrerem, sobretudo o oídio
durante o ano todo e o míldio no período chuvoso. Desse modo,
as plantas podem desenvolver-se sadias e com maior rapidez.
Irrigação
As regas
deverão ser realizadas de acordo com o tipo de solo e com o sistema
de irrigação adotado. Na fase de desenvolvimento inicial da cultura
é muito importante que não haja limitação hídrica, o que acarretaria
sérios prejuízos ao crescimento e engrossamento da cepa, em conseqüência
dos entrenós muito curtos.
A produção
de uvas de qualidade decorre, em grande parte, da nutrição equilibrada
das videiras. O equilíbrio é alcançado quando as plantas recebem
quantidades de nutrientes que atendem suficientemente
às necessidades nutricionais da cultura para vegetar e produzir
de maneira satisfatória.
A nutrição
da videira compreende uma série de processos físicos, químicos,
fisiológicos e biológicos, resultantes das interações entre as
plantas e o meio no qual estão estabelecidas.
Nas áreas
de clima tropical, por exemplo, a videira dá mostras de estar
convenientemente nutrida quando após a colheita e durante o período
de maturação dos ramos sua folhagem e seus brotos terminais não
apresentam sintomas visuais de deficiência ou excesso de nutrientes.
Na videira,
quando os elementos nutritivos nas folhas e nos frutos estão presentes
em quantidades abaixo ou muito acima do nível normal, costumam
manifestar-se anormalidades mais ou menos típicas que servem
para identificar a deficiência do nutriente que as origina.
Tratando-se, porém, dos nutrientes
que são consumidos em grande quantidade, como nitrogênio, fósforo
e potássio, por exemplo, não é recomendável esperar que apareçam
os sintomas de deficiências para proceder à fertilização, pois
quando estes se manifestam, a produção das plantas e a qualidade
dos frutos já terão sido reduzidas substancialmente.
No caso
dos micronutrientes, quando do aparecimento
dos primeiros sintomas, é possível ainda fazer-se as
devidas correções na fertilização das plantas, sem que haja um
decréscimo significativo na qualidade e na quantidade dos frutos.
Entretanto, o mais aconselhável é monitorar-se o vinhedo através
de análises foliares, realizando as fertilizações com os nutrientes
necessários e em quantidades adequadas, evitando-se, desse modo,
o aparecimento de sintomas de deficiência ou excesso nutricional.
Macronutrientes
Nitrogênio
A falta
desse elemento se manifesta inicialmente nas folhas mais velhas,
que se tornam amareladas. Com a evolução da deficiência, as plantas
apresentam um débil desenvolvimento, com o encurtamento dos entrenós,
brotações contorcidas e avermelhadas, baixo percentual de pegamento dos frutos, resultando numa baixa produção, com
cachos pequenos e desuniformes.
O excesso
de adubação nitrogenada desequilibra a relação carbono/nitrogênio, que regula todo o mecanismo da diferenciação
e indução das gemas florais, cuja conseqüência é a diminuição
da fertilidade das gemas.
Fósforo
A deficiência
desse elemento está ligada a redução
do sistema radicular, ao retardamento no crescimento e à escassa
lignificação dos tecidos. Os sintomas
aparecem primeiro nas folhas mais velhas, que ficam opacas e de
coloração verdeazulada, entretanto eles só se manifestam quando
realmente a deficiência é muito acentuada, o que geralmente não
acontece no campo.
Potássio
A carência
desse elemento interfere na síntese protéica, causando a elevação
na quantidade de aminoácidos livres; retarda a maturação, e as
plantas produzem cachos pequenos, duros, verdes e ácidos.
Os sintomas
de deficiência de potássio manifestam-se primeiramente nas folhas
mais velhas, sob a forma de um amarelecimento internerval
em cultivares de uvas brancas, seguido de necrose da zona periférica
do limbo que vai progredindo para o interior no tecido internerval. Em cultivares tintas, as folhas começam por apresentar
uma coloração avinhada entre as nervuras, seguindo-se pela necrose
progressiva dos tecidos do limbo.
As causas
de deficiência de potássio nas plantas estariam associadas à adubação
potássica deficiente, ao antagonismo
N/K resultante de um excesso de nitrogênio, à ocorrência de
falhas no manejo da irrigação e de danos no sistema radicular,
assim como à menor capacidade de absorção do potássio pelas diferentes
cultivares.
Cálcio
A falta
desse elemento afeta particularmente os pontos de crescimento
da raiz; nas folhas jovens a sua deficiência se manifesta por
uma clorose internerval e marginal,
seguida da necrose das margens, mas também pode provocar a morte
dos ápices vegetativos.
Magnésio
As folhas
velhas apresentam clorose internerval, enquanto as nervuras permanecem totalmente verdes. Em cultivares de uvas brancas as manchas
cloróticas evoluem até a necrose dos
tecidos do limbo; em cultivares de uvas tintas as manchas
adquirem coloração avinhada e também evoluem até a necrose do
tecido.
Quando
a carência de magnésio é muito acentuada, sobrevém o esgotamento
geral das plantas. Nos cultivos irrigados, ela é bastante freqüente,
sendo, pois, necessário redobrar a atenção para os sintomas desse
problema.
Enxofre
A carência
desse nutriente dificilmente é encontrada na videira, em virtude
dos tratamentos fitossanitários contra o oídio,
nos quais o enxofre é utilizado como fungicida de
contato, sendo então absorvido pelas folhas na forma de
S02.
Micronutrientes
Ferro
Os sintomas
de carência de ferro na videira manifestam-se inicialmente nas
folhas novas, como uma clorose internerval do limbo, permanecendo um reticulado verde fino
nas nervuras. Os sintomas evoluem para a necrose da margem das
folhas e queda prematura das mesmas. Excesso de cálcio ativo no
solo induz ao aparecimento do sintoma
de deficiência de ferro, que nesse caso é denominado de clorose
férrica.
Em solos
maldrenados, com problemas de encharcamento, a redução do ferro para formas insolúveis é
favorecida, tornando-o indisponível para as plantas.
Boro
A carência
desse elemento manifesta-se com a morte dos ápices vegetativos,
a diminuição dos entrenós, a emissão de feminelas
e o envassouramento. Nos cachos florais,
ocorre excessivo abortamento das flores, cuja conseqüência são
os cachos muito raleados; a caliptra não se solta com facilidade
por ocasião da florada, permanecendo sobre o bago em desenvolvimento.
Pode sobrevir a necrose nos bagos, interna e externamente, além
do dessecamento parcial ou total dos cachos. O boro entra na formação
da parede celular, de modo a evitar o excessivo endurecimento
da mesma. Em plantas deficientes, há o rápido endurecimento da
parede, o que não permite o aumento normal no volume da célula.
Manganês
Sob condições
de pH elevado, excesso de matéria orgânica, altos teores de P,
Cu e Zn e períodos de seca, aparecem
sintomas de deficiência de manganês. Todavia, muito mais freqüente
e mais severa que a deficiência é a toxidez desse elemento em
condições de solos ácidos das regiões tropicais e subtropicais.
Em solos maldrenados, com problemas
de encharcamento, acontece uma redução
do manganês, que é liberado para a solução do solo
em teores considerados tóxicos para as videiras. Os sintomas
de carência consistem em uma clorose
marginal e internerval não bem definida. A toxidez se manifesta com necrose
internerval, evoluindo para um dessecamento
total e queda das folhas.
Zinco
A carência
desse elemento é detectada pelos seguintes sintomas: folhas muito pequenas, manchas amarelas como mosaico, assimetria das
folhas, dentes muito agudos, alargamento ou fechamento do seio peciolar, folhas muito lobadas, cachos pouco compactos, desenvolvimento de muitas
feminelas e entrenós curtos.
A deficiência
do zinco está relacionada com pH elevado, altos níveis de adubação
fosfatada, solos encharcados e sem aeração.
Cobre
Na videira
não se verifica a carência de cobre. Ao contrário, em algumas
situações podem-se observar os danos causados pela presença excessiva
desse elemento, sob a forma de clorose
das folhas e dos ramos novos (pelo bloqueio do ferro), redução
do desenvolvimento do sistema aéreo e radicular, escassa germinação
do pólen, resultando em baixa fertilização das flores e uma queda
muito grande de bagos. A toxidez provocada pelo cobre decorre
do acúmulo, no solo, de produtos contendo esse elemento, os quais
são utilizados no controle do míldio na videira.
Os demais
micronutrientes, como molibdênio, cobalto
e cloro são úteis à videira em pequeníssimas quantidades. Não
sendo observadas carências, pois as necessidades das plantas em
relação a esses elementos são atendidas pelos teores existentes
no solo.
A adubação
de um vinhedo guarda estreita relação com o tipo de solo no qual
foi estabelecido. Em solos de baixa fertilidade, há a necessidade
de um maior aporte de nutrientes para suprir adequadamente as
plantas. Em solos mais férteis a quantidade de adubos utilizados
pode ser menor.
A adubação
da videira deve ser levada a efeito, de modo que não provoque
um desequilíbrio nutricional nas plantas, principalmente no que
diz respeito aos macronutrientes. Como
comentado anteriormente, o excesso de nutrientes causa igualou
maior dano às plantas que a sua carência.
Segundo
Christensen e outros, citados por ALBUQUERQUE
(1996), o diagnóstico das necessidade
nutricionais da videira realizado através da análise de tecidos
não só é muito eficaz como permite monitorar,
quase que precisamente, o aporte de adubos e o uso dos nutrientes
pelo vinhedo.
Os tecidos
utilizados para avaliação do estado nutricional de um vinhedo
são o limbo e/ou o pecíolo. Na Europa
(França e Itália) as análises são realizadas em duas épocas, na
floração e no início do amadurecimento dos bagos, utilizando para a análise os
limbos e os pecíolos juntos. Christensen
e outros recomendam, nos Estados Unidos, a avaliação unicamente
dos pecíolos, os quais são coletados quando as plantas se encontram
em plena floração.
A amostragem
de um vinhedo deve obedecer aos seguintes critérios:
a)
A área a ser amostrada deve estar localizada em solo, o mais homogêneo
possível;
b)
As plantas que compõem a amostra devem apresentar o mesmo nível
de vigor e de produção;
c)
As plantas com sinais visíveis de doenças deverão
ser descartadas para a composição da amostra.
Os pecíolos
são coletados de plantas uniformemente
distribuídas no vinhedo a ser avaliado, sendo a amostra constituída
por 80 a 100 pecíolos coletados, um por planta, da folha oposta
ao cacho.
Os limbos
devem ser descartados, preservando-se somente os pecíolos. Caso a amostra não seja imediatamente
entregue ao laboratório, os pecíolos serão guardados
em sacos de papel aberto, em local seco e ventilado, para
facilitar a secagem da amostra, e evitar o problema de fungos.
A análise foliar também pode servir para
identificar a deficiência ou o excesso de nutrientes
numa área problema. Nesse caso, coletam-se os pecíolos
das plantas portadoras de sintomas e os resultados serão comparados
com os de plantas do mesmo vinhedo que não apresentem sinal algum
de problemas nutricionais.
Com o
objetivo de realizar-se uma adubação equilibrada. sugere-se que, na fase de crescimento das plantas as adubações
nitrogenadas sejam parceladas em quatro aplicações de 25 g por planta, a cada 45 dias nos solos arenosos,
e duas de 50 g por planta, a cada 90 dias nos solos argilosos,
iniciando a primeira aplicação 30 dias após o plantio e terminando
na primeira poda de frutificação. O potássio e o fósforo devem
ser aplicados de uma só vez, na fase de crescimento, seis meses
depois do plantio. As doses são as recomendadas na Quadro
2.
6.2.3.
Adubações de fundação na fase produtiva
Após a
primeira poda de frutificação, deve-se adubar o vinhedo a cada
ciclo vegetativo, utilizandose
esterco, fósforo, potássio e nitrogênio, de forma equilibrada,
considerando sempre as necessidades da cultura. O esterco e o
fósforo são aplicados 20-25 dias antes de cada poda de frutificação,
em sulcos abertos alternadamente em cada lado da linha das plantas.
Nos ciclos
do primeiro ano de produção, os sulcos devem ficar localizados
a 50 cm de distância das plantas; no segundo ano, a 80 cm, e do
terceiro ano em diante, a 100 cm. Essas distâncias relacionam-se
com o crescimento do sistema radicular, que deve ser constante
desde o momento em que a muda começa a expandir as raízes até
o total estabelecimento da planta, quando as raízes deverão ocupar
o máximo da área do solo que lhes é destinada.
Adubações de cobertura
na fase produtiva
As adubações
com nitrogênio e potássio são aplicadas em cobertura no local
onde existir maior umidade e o mais próximo do sistema radicular,
fazendo-se a seguir uma ligeira incorporação dos adubos.
As adubações
nitrogenadas são parceladas em três etapas: aplica-se 30% da dose
total quando as brotações atingirem 15 cm de comprimento, 30%
na fase de chumbinho, e 40% logo após a colheita.
As adubações com potássio são parceladas
em duas etapas: 30% da dose total é aplicada na
fase de chumbinho e 70% na fase de amolecimento dos bagos.
As quantidades
de nutrientes recomendadas acham-se descritas na Quadro 2.
As quantidades
de nutrientes poderão ser alteradas de acordo com o monitoramento
da cultura através de análises foliares.
As recomendações
acima descritas são para adubação no solo; no caso de utilizar-se
fertilização através da água de irrigação, haverá mudanças nas
épocas e quantidades de nutrientes recomendados.
Por ser
o sistema de fertirrigação altamente
eficiente na administração de nutrientes às
plantas, normalmente a quantidade de produto utilizado
é bem menor.
É possível,
com essas adubações, suprir parcialmente as plantas não só de
nitrogênio, magnésio e enxofre, mas principalmente dos micronutrientes boro e zinco.
Na fase
de crescimento, as adubações foliares são efetuadas a cada 20
dias, com formulações comerciais, iniciando-se 10 dias após a
primeira adubação de cobertura, prosseguindo-se até a primeira
poda de frutificação.
Na fase
produtiva, procede-se às adubações foliares de acordo com as necessidades
da cultura, normalmente determinadas por meio da análise foliar.
Com o uso de uma formulação comercial adequada à cultura da videira,
nas doses e épocas recomendadas pelo fabricante, raramente ocorrerão
problemas de deficiências nutricionais de micronutrientes.
Quadro 2. Adubação da videira (ALBUQUERQUE,
1996, adaptado).
| Nutrientes
no solo
|
Fase de Desenvolvimento |
| Crescimento
|
Produção (ciclo) |
| |
|
1º
|
2º
|
3º
|
4º
|
5º
|
| Nitrogênio
(não analisado) |
g
de N / planta
|
| 80
|
100
|
120
|
150
|
180
|
200
|
| Fósforo
(Mehlich - ppm P) |
g
de P2O5
/ planta |
| 0
– 10
|
100
|
70
|
70
|
70
|
100
|
120
|
| 11
– 20
|
80
|
50
|
50
|
50
|
100
|
90
|
| 21
– 30
|
40
|
30
|
30
|
30
|
60
|
70
|
| Potássio
(Mehlich-meq.K/100ml)
|
g
de K2O / planta |
| 0- 0,10
|
80
|
80
|
100
|
120
|
150
|
200
|
| 0,11 - 0,20
|
60
|
60
|
80
|
100
|
120
|
160
|
| 0,21 - 0,40
|
40
|
40
|
60
|
80
|
90
|
120
|
As condições
climáticas de temperatura e luminosidade prevalecentes no trópico
sem i-árido favorecem uma intensa atividade fisiológica nas videiras,
o que induz a uma precocidade de produção da cultura. A primeira
colheita é obtida a partir de 12 meses do plantio; e a partir
da terceira colheita a produção já atinge patamares comerciais.
Essa precocidade
de produção, aliada à falta de um longo período de repouso, torna
indispensável a adoção de um manejo adequado
da cultura que preserve ao máximo a produtividade e a vida Útil
das plantas. Para o melhor aproveitamento do vinhedo é necessário
dar adequada formação às plantas jovens, realizar uma poda balanceada
das plantas adultas e manter ainda um controle equilibrado entre
a vegetação e a produção, através de podas verdes, desbaste de
cachos e raleio de bagos.
Poda de formação
A poda
de formação é a que induz o adequado desenvolvimento do tronco
e dos braços primários e secundários nas plantas ainda jovens.
Após o
plantio das mudas na área do vinhedo, conduz-se um ramo principal
por planta, guiado por um tutor para que suba bem ereto até a
latada. Os ramos ladrões que saem do porta-enxerto
e as brotações laterais são eliminados quando ainda novos,
evitando-se que venham a competir com o ramo que está sendo conduzido.
Quando
o ramo principal ultrapassar a latada em cerca de 30 cm, efetua-se
a sua poda. preservando-se a gema situada
imediatamente abaixo do corte. O desabrochamento das duas gemas
terminais. que em geral não é difícil,
dá origem a dois ramos que serão conduzidos no sentido da linha
das plantas e formarão seus braços primários (Fig. 14 B), os quais
se estenderão por todo o espaço que lhes é destinado. Sobre esses
braços, a intervalos de 35 - 40 cm, formam-se os braços secundários
na medida em que o espaçamento definido permitir.
Um outro
método de condução é aquele em que se utiliza um único braço primário,
direcionado a favor dos ventos dominantes.
Sobre
os braços secundários, através de podas sucessivas, formam-se
as unidades de produção em torno de 2 a 3
por braço secundário, separadas de 1520 cm uma da outra.
N o trópico,
as plantas de videira caracterizam-se por um contínuo crescimento,
que as capacita a produzir duas a três
safras por ano. As cultivares de ciclos
feno lógicos medianos produzem duas safras e meia por ano, em
decorrência desse hábito de crescimento.
É importante
ter-se, entretanto, entre uma safra e outra, um período de repouso
de 20 a 30 dias, quando acontece a maturação dos ramos, com a
fase final da diferenciação das gemas (crescimento do cacho a
nível microscópio) e o acúmulo de hidratos de carbono. Para que
tais atividades fisiológicas se processem, é necessário que as
videiras tenham uma folhagem sadia, sem sintomas de deficiências
nutricionais e ou doenças, o que permite que as plantas continuem
fotossintetizando ativamente, resultando
num acúmulo maior de substâncias de reserva.
É ainda
nesse período que as plantas demonstram estar equilibradas nutricionalmente, pois é quando aparecem nitidamente os sintomas
de carência ou excesso de nutrientes na folhagem.
Durante
o período de repouso, é importante manter um certo nível de umidade
no solo, para evitar que as plantas sofram estresse hídrico. Segundo
Pereira & Paez, citados por ALBUQUERQUE (1996), a ocorrência
de déficit hídrico no período de repouso compromete a brotação
e a produção das videiras no ciclo seguinte. Como essa fase do
ciclo fenológico da videira em clima
tropical tem sido muito pouco estudada, há aspectos associados
aos processos hormonais e metabólicos nela desenvolvidos
que são praticamente desconhecidos.
A poda
de frutificação levada a efeito imediatamente após o repouso permite
que se regule a estrutura produtiva das plantas, facilitando a
obtenção de,colheitas satisfatórias e de excelente qualidade.
Através
da poda de frutificação deixa-se em cada unidade de produção,
um esporão de duas gemas e uma vara com quatro ou mais gemas.
A finalidade do esporão é dar origem à vara e ao esporão da poda
do ciclo subseqüente; enquanto que a da vara é a produção de cachos.
O número
de gemas por vara é determinado pelo vigor das plantas e pela
localização das gemas férteis; já a fertilidade das gemas, isto
é, a sua capacidade de emitir brotações com
cachos está determinada geneticamente
em cada cultivar, sofrendo também influência externa das condições
climáticas no momento da diferenciação floral, bem como do estado
nutricional das plantas.
De modo
geral, é recomendável deixar-se o menor número de gemas possível
por vara e que seja compatível com a cultivar trabalhada. Pretende-se
com essa recomendação minimizar os efeitos negativos da má brotação
das gemas que ocorre nas áreas de clima tropical.
No caso
da cultivar Itália, deixa-se em torno de quatro a oito gemas por
vara, sendo que as gemas mais férteis estão localizadas da sexta
até a oitava. Na “Piratininga”, as gemas férteis localizam-se
da quarta à sexta, podendo-se realizar uma poda média com varas
de quatro a seis gemas.
Aplicação de reguladores
de crescimento
As videiras
desenvolvidas em regiões tropicais caracterizam-se por apresentar
um crescimento contínuo, no qual não ocorre senescência
e abscisão natural das folhas, ou seja, elas não mudam de coloração e tampouco caem. Há, além disso, uma marcante
dominância apical nas varas deixadas pela poda, assim como uma
tendência à produção de cachos muito compactos, em conseqüência
das temperaturas elevadas e da baixa umidade relativa do ar, que
favorecem a fecundação das flores.
Essas
características naturais do desenvolvimento
das plantas podem ser modificadas pelo uso de reguladores de crescimento.
As gemas
da videira, sob condições de clima tropical, apresentam uma
forte dominância apical, que é caracterizada pelo desabrochamento
mais vigoroso das gemas terminais das varas, resultando
numa brotação desuniforme e irregular da planta como um todo. Essa dominância
está supostamente relacionada com
a produção e translocação de reguladores
de crescimento, tais como as auxinas.
As auxinas
promoveriam o transporte de assimilados diretamente para a região
meristemática da gema apical, bloqueando a disponibilidade
dos nutrientes para as gemas laterais,
e também agiriam inibindo o desenvolvimento das conexões vasculares
entre as gemas laterais e o tecido vascular principal.
Para diminuir
os efeitos da forte dominância apical nas videiras, é conveniente
utilizar alguns produtos químicos que forçam a brotação rápida
e uniforme das gemas.
Conforme
pesquisas desenvolvidas na região do Submédio
São Francisco (Albuquerque e Albuquerque, citados por ALBUQUERQUE,
1996), os produtos mais eficientes para equilibrar a brotação
são: a cianamida hidrogenada (H2CN2), o ethephon (ác. 2-cloroetilfosfônico) e a calciocianamida (Ca CN2).
As condições
semi-áridas tropicais, com baixa um idade
relativa do ar e temperaturas elevadas, favorecem a polinização
e o pegamento dos frutos. Além disso, parece diminuir o comprimento
dos pedicelos, resultando em cachos muito compactos, com bagos
desuniformes e deformados, por estarem comprimidos uns contra os outros.
Para aumentar
os pedicelos, facilitando a operação do raleio, pode-se aplicar
2 ppm de ácido giberélico em aspersão
dirigida exclusivamente para os cachos florais, quando estes medirem
6 cm ou menos de comprimento. Esse tratamento deve ser realizado,
de preferência, nas primeiras horas da manhã, para evitar problemas
de fitotoxidade nos cachos florais.
Em cultivares
de uvas com semente, como a “Itália” e a “Piratininga”, não se
deve utilizar o ácido giberélico para
aumentar o tamanho dos bagos, por causa do efeito nocivo que o
mesmo tem sobre a fertilidade das gemas, diminuindo a produtividade
do vinhedo.
A cultivar
Piratininga e outras cultivares de bagos
rosados ou tintos apresentam, principalmente no período de clima
quente, bagos de coloração desuniforme,
em virtude da formação deficiente de pigmentos antociânicos
que respondem pela coloração da película que envolve as uvas,
É possível corrigir esse problema pulverizando-se as plantas com
uma solução de ethephon a 200 ppm no início de maturação dos cachos.
A condução da parte aérea das plantas em
produção consta de um conjunto de práticas realizadas para melhorar o aspecto e a qual idade dos
cachos, bem como promover o equilíbrio entre a vegetação e a frutificação.
A condução da parte aérea é mais utilizada nas cultivares para
consumo “in natura”.
Amarração
Logo após
a poda, efetua-se a amarração das varas, não apertando muito junto
aos fios de arame, a fim de não prejudicar o seu crescimento transversal.
Quando as novas brotações atingirem 40 cm, em média, devem ser
amarradas, para que não se quebrem pela ação dos ventos, como
também, para que as folhas não fiquem sobrepostas, o que iria
diminuir a taxa fotossintética em relação a
área foliar total das plantas. A amarração deve ser repetida à
medida que os ramos forem crescendo, mantendo-se sempre a planta
bem conduzida, o que evitará ramos caídos e emaranhados.
Esladroamento
É a remoção
dos ramos estéreis, quando atingirem a faixa de 10 a 30 cm de
comprimento, para não causar ferimentos e nem desequilíbrio fisiológico
nas plantas, proporcionando aos ramos remanescentes maior crescimento.
Devem-se eliminar os ramos que nascem do tronco, os que estão
em excesso e as brotações duplas ou triplas originadas de uma
única gema. O aparecimento de muitos ramos ladrões significa
que o método de poda adotado é incorreto e há necessidade de uma
poda menos severa. São deixadas, de modo geral, três brotações
em cada vara.
Eliminação das gavinhas
e despontamento dos ramos
As gavinhas
devem ser eliminadas antes ou até a florada. Os ramos devem ser
despontados quando apresentarem de quinze a vinte folhas e já
tiverem ocupado o espaço a eles destinado. O objetivo dessas duas
práticas é acelerar a maturação das gemas basais, evitar a filagem
ou o desavinho, melhorar a fecundação das flores, induzir a melhor
formação dos frutos e equilibrar a vegetação.
Desnetamento
Consiste
no despontamento das feminelas ou ramos terciários, deixando-se apenas uma ou duas
folhinhas que auxiliam na assimilação de nutrientes, tendo em
vista a melhor formação dos frutos e das gemas frutíferas do ciclo
subsequente. O desnetamento deve
ser feito até o início da floração.
Desfolhamento
Deve ser
feito no período de crescimento do ramo, com o propósito tanto
de melhorar a ventilação e a insolação das videiras, como de facilitar
o controle das doenças que atacam os cachos. Não se deve tirar
mais de cinco folhas por ramo e. naquele que estiver com cacho,
devem ser deixadas acima deste, dez a dezoito tolhas. Essa prática,
entretanto, pode ser totalmente eliminada quando se faz o perfeito
direcionamento e amarração dos ramos.
Desbaste de cachos
Consiste
na remoção de cachos florais, antes da floração, e de cachos novos
ou de parte deles, depois de os frutos se formarem. Eliminam-se
os cachos dos ramos mais débeis, com poucas folhas, doentes ou
abafados por excesso de ramos e folhas. O objetivo dessa operação
é deixar a frutificação bem distribuída, evitando-se
o amontoamento de cachos em alguns ramos e espaços vazios
em outros.
Aumentando-se a relação entre as
folhas e o número de cachos, proporciona-se melhor nutrição aos
cachos remanescentes.
Uma poda
mais longa, na qual se deixa maior número de varas com seis a
oito gemas, e a aplicação de reguladores de crescimento destinados
a melhorar a brotação das varas podem aumentar efetivamente a
capacidade de produção da videira. Ademais, com o desbaste dos
cachos, é possível obter uma safra de qualidade, sem que as plantas
sofram danos posteriores.
Os cachos
provenientes dos netos devem ser eliminados, tanto pelo fato de
seu desenvolvimento estar atrasado como pela concorrência que
eles fazem aos cachos já formados. Resumindo, pode-se dizer que
o tamanho dos cachos está em função da superfície foliar das plantas
e a relação mais equilibrada é de um cacho para dois ramos.
A descompactação
ou raleio dos bagos tem por objetivo dar o melhor aspecto possível
aos cachos, através da eliminação de um certo número de botões
florais ou, mais tarde, de bagos já formados em cada cacho, o
que permite o desenvolvimento adequado dos bagos remanescentes.
Winkler e outros, citados por ALBUQUERQUE (1996) comentam que o raleio
realizado na abertura das flores aumenta o volume dos bagos remanescentes
em 32%, e quando realizado 10 dias
após, o aumento chega somente a 18%. Evidenciando a importância
da realização do raleio bem cedo. se
possível, antes da florada, ou no máximo, até o estádio de chumbinho (bagos com três a
quatro milímetros).
Sempre
que o raleio é feito precocemente, é necessário
que se realize uma toalete nos cachos, quando os bagos
se encontrarem no estádio de azeitona.
É importante salientar que o tempo dispendido
com o raleio precoce e a posterior toalete dos cachos é menor
do que aquele dispendido com o raleio
realizado unicamente com tesoura no estádio de chumbinho.
O raleio
precoce é bastante eficiente quando executado por mão-de-obra
competente e responsável. Esta deve ser selecionada e treinada
dentro da fazenda para que se conheça, previamente, a qualidade
do trabalho que será feito. Do contrário, podem sobrevir resultados
totalmente desastrosos para a empresa: cachos deformados e excessivamente
raleados (banguelos).
A descompactação
dos cachos na prefloração deve ser evitada nos períodos chuvosos,
em virtude do problema de abortamento de flores e até mesmo de
cachos, o que estaria possivelmente relacionado com a penetração
dos fungos: Botrytis eAlternaria. Recomenda-se, então, para esse período, o raleio com
tesoura na fase de ervilha (cinco a seis milímetros), quando o
cacho se torna mais resistente.
Raleio manual na
prefloração
Os cachos
são descompactados com a mão, dez dias antes da data prevista
para floração.
Raleio com escova
de plástico na prefloração
Os cachos
são descompactados com uma escova
de plástico apropriada, dez dias antes da data provável da florada.
Pinicado
Os cachos
são descompactados com a mão, logo após a formação dos bagos,
quando estes apresentam menos que três milímetros de diâmetro.
Raleio
com tesoura
Os cachos
são descompactados com tesoura apropriada, quando os bagos atingirem
cinco a seis milímetros de diâmetro.
Irrigação
Apesar
de ser uma cultura que emprega diversos recursos tecnológicos
muitos produtores aplicam um insumo considerado chave para o próximo
milênio - água, sem nenhum critério, o que torna necessário a
presença da Universidade e de pesquisadores locais imprescindíveis
para realização de estudos e divulgação de resultados, atendendo
a carência de conhecimento em relação aos efeitos de diferentes
sistemas de irrigação na cultura da videira.
Esta,
por muito tempo era realizada através do método de sulco e hoje,
na maioria das áreas estão sendo empregados os métodos de aspersão
sobre copa, no entanto, muitos já estabeleceram seus parreirais
com sistemas mais avançados como a microspersão
e outros mais tecnificados, empregam sistemas de gotejamento.A área irrigada
por microaspersão tem sido aumentada
em função da restrição hídrica regional, aliada
à redução de custos operacionais. A região, durante o período
de inverno, tem sofrido com a escassez de água causada pelo
pequeno porte de seus córregos, devido em parte a ausência de
conservação do solo e de matas ciliares e isto tem gerado muita
preocupação aos agricultores quanto ao volume de água utilizado,
além de inviabilizar o aumento de área irrigada na região.
A água
é essencial para o crescimento e desenvolvimento de todas as partes
da videira. No solo, afeta o crescimento do sistema radicular
no que diz respeito à direção do crescimento, ao grau de expansão
lateral, às ramificações e à profundidade de penetração das raízes,
bem como à relação entre a massa foliar e o sistema radicular.
À medida que se reduz a disponibilidade de água, diminui o crescimento do sistema radicular e da parte aérea. Nesse
caso, as raízes são, de modo geral, menos afetadas que as brotações.
A primeira
fase do ciclo vegetativo da videira caracteriza-se pelo crescimento
acelerado das brotações tenras. À medida que escasseia a água
no solo, a velocidade de crescimento decresce rapidamente, os
entrenós diminuem e a folhagem das pontas, de uma cor verde-amarelada,
toma-se verde-escura, semelhante ao das folhas maduras.
Os sintomas
descritos permitem inferir sobre a disponibilidade de água no
solo, denunciando a necessidade de mais água no vinhedo. Quando
o déficit hídrico se prolonga, as folhas mais velhas adquirem
um tom amarelado e a margem do limbo desseca, tendendo a se enrolar.
Finalmente, as folhas mais próximas da base dos brotos secam e
caem.
Uma redução
repentina da água disponível no solo do vinhedo produz o murchamento da folhagem e das partes tenras dos brotos, seguida
do amarelecimento e queda das folhas. Este tipo de murcha é comum
quando as temperaturas são elevadas, os ventos são fortes e a
água disponível no solo ocupado pelas raízes é escassa.
A produção
vitícola é afetada pela redução da água
disponível para as plantas, porque essa restrição, além de diminuir
o tamanho potencial dos bagos e o comprimento e peso dos cachos,
afeta também o conteúdo de sólidos solúveis e de outros componentes.
A deficiência
de umidade nos primeiros estádios de desenvolvimento dos cachos
reduz marcadamente o tamanho dos bagos, sem que este possa se
recuperar com irrigações posteriores. No entanto, desde que eles
tenham alcançado um tamanho satisfatório, uma redução moderada
de água pode ser favorável, ao diminuir a taxa de crescimento
dos sarmentos e estimular a acumulação de açúcares e pigmentação
nos frutos.
A videira
adapta-se igualmente bem aos métodos de irrigação por superfície,
por aspersão e localizada.
Dentre
os métodos de irrigação por superfície, vale destacar o sistema
de rega por sulcos, em que se utiliza sulcos convencionais ou
sulcos curtos, fechados e nivelados. A derivação de água nesse sistema
pode ser feita por sifão ou por tubos janelados.
No caso
da irrigação por aspersão, pode-se utilizar o sistema de rega
por aspersão 30bre copa de tipo móvel ou fixo.
Quanto
à irrigação localizada, tanto o sistema de gotejamento como o
de microaspersão são viáveis.
A escolha
entre os sistemas de irrigação citados vai depender de uma série
de fatores técnicos, econômicos e culturais associados a condições
específicas do vinhedo. Entre os fatores técnicos destacam-se
os seguintes:
I Recursos
hídricos (potencial hídrico, situação topográfica, qualidade e
custo da água)
II Topografia;
III Solos
(características morfológicas, retenção de água, infiltração,
características químicas e variabilidade espacial);
IV Clima
(precipitação, vento e evapotranspiração
potencial);
V Culturas
(sistemas e densidade de plantio, profundidade efetiva do sistema
radicular, altura das plantas, exigências agronômicas e valor
econômico);
VI Aspectos
econômicos (custos iniciais, operacionais e de manutenção
VII Fator humano (nível educacional,
poder aquisitivo, tradição, etc.).
De modo
geral, os sistemas de irrigação por sulcos e por gotejamento são
indicados para solos argilo-arenosos
e argilosos, enquanto os sistemas por aspersão e por microaspersão
mostram-se mais adequados para solos arenosos e areno-argilosos.
O manejo
de água está diretamente relacionado
com o sistema de irrigação selecionado. Nos sistemas de irrigação
por sulco e por aspersão, por exemplo, o nível de água disponível
no solo deve ser mantido acima de 50%. No caso da irrigação localizada,
o nível de água disponível no solo deve ser mantido entre 80 e
100%.
Recomenda-se, na irrigação localizada, que o manejo de água seja monitorado por meio
de tensiômetros instalados em pontos
correspondentes a 50% da profundidade efetiva das raízes e imediatamente abaixo destas. A proporção recomendada
é de três a quatro estações de tensiômetros instaladas numa parcela de solo uniforme e de
tamanho não superior a dois hectares. A partir dessa parcela monitora-se
a irrigação das demais áreas da propriedade que apresentem o mesmo
tipo de solo.
As tensões
de água no solo aceitáveis para o manejo das regas dependem dos
tipos de solos cultivados. Para solos arenosos, as tensões podem
variar entre 15 e 25 centibares; para
os argilosos, podem alcançar de 40 a 60 centibares.
As leituras dos tensiômetros servem, em ambos os casos, para o ajustamento da lâmina ou do volume de água
aplicado. Num solo cuja tensão de água varie entre 15 e 25 centibares, por exemplo, deve-se reduzir em 10% o tempo de
rega quando a tensão permanecer abaixo de 15 centibares durante uma semana de irrigação. Por outro lado,
quando a tensão for superior a 25 centibares,
deve-se aumentar o tempo de rega em 10%.
É igualmente
recomendável acompanhar a flutuação do lençol freático ao longo
do tempo, através de poços de observação. Esses poços podem ser
instalados em malhas quadradas de 250
x 250 m ou de 500 x 500 m. As leituras do nível
do lençol freático feitas quinzenal ou mensalmente têm por finalidade
identificar, em tempo hábil, os pontos críticos da área cultivada.
Sugere-se que a linha de saturação seja mantida abaixo de um metro
em relação à superfície do solo, para que em nenhum momento prejudique
o aprofundamento normal do sistema radicular das videiras.
As
videiras em clima úmido e quente são mais sujeitas a doenças causadas
por fungos. Assim o cultivo da videira requer uma série de medidas
de controle, sem o quais inviabilizaria-se
o cultivo de certas variedades. Dentre as principais, destacam-se:
Oídio
Agente
causal: Uncinula necator (SchW.) Burril (Oidium tuckeri Berk.). O patógeno encontra-se disseminado
por toda a zona vitícola e se desenvolve
bem em clima seco. A doença é favorecida pelo clima frio, pois
o fungo se desenvolve desde temperaturas de 7°C à sombra ou luz
difusa; porém, exposta à luz, perece. A doença se manifesta em
toda a planta, sendo as partes verdes e tenras as mais atacadas,
causando prejuízos nos brotos, nas flores e nos frutos.
Nas
folhas novas, observa-se retraimento e murcha do limpo. As flores
atacadas caem e os frutos, quando em formação, paralisam o desenvolvimento
e ocorre rachadura, devido à alteração sofrida pela casca.
A
principal medida de controle nos vinhedos comerciais é feita por
meio do uso de fungicidas, principalmente à base de enxofre, que
é mundialmente utilizado pelo seu baixo custo e elevada eficácia
e fungicidas sistêmicos ,tais como benomil, tiofanato
metilico, fenarimol e triadimefon (Celso Valdevino
Pommer). Em regiões de clima quente,
não se recomenda empregar unicamente fungicidas sistêmicos, devido
ao aparecimento de raças resistentes a esses produtos.
Antracnose
Agente
causal: Elsinoe ampelina
( de Bary)
Shear (Splhaceloma ampelinum de Bary). O fungo dessa
doença acha-se presente em todas as áreas onde, durante a vegetação
e a fruticação, ocorrem chuvas freqüentes, sendo uma doença oriunda
das condições úmidas, não exigindo grande temperatura para se
desenvolver, é praticamente desconhecida na viticultura do Nordeste
semi-árido. As variedades viníferas
são mais suscetíveis que as americanas.
No início
da brotação da videira, a antracnose é a primeira doença a aparecer,
atacando todos os órgãos verdes da planta, preferencialmente os
tecidos tenros. O fungo se desenvolve sobre as folhas e os frutos.
Nas folhas, forma mancha parda deprimida. As manchas podem, ao
se desenvolver, causar rupturas, desintegrando as folhas. Nos
frutos, surgem manchas pardas, arredondadas, denominado olho de
passarinho, e eles chegam a se fender e expor as sementes.
O controle,
durante o inverno, é feito com calda sulfocálcica a 32° Baumé. Utiliza-se
1L de calda para 8L de água. Durante a vegetação, recomenda-se
a aplicação de calda bordalesa ou
outro preparado cúprico a cada quinze
ou vinte dias, Ziram, Zineb,
óxido de cobre (Salim Simão et al. 1998).

Fig.
4. Sintoma de antracnose no ramo "cancros". (Foto G. Nakashima).

Fig.
5. Bagas com sintomas de antracnose.
(Foto: G. Nakashima).
Míldio
Agente
causal: Plasmopara viticola (Berk & Curtis) Berl. & de Toni. Esta doença
é também conhecida como peronóspora,
mufa ou mofo e causa sérios prejuízos à viticultura, podendo
a produção ser perdida totalmente quando não forem efetuadas medidas
de controle. Geralmente as variedades de uvas européias (
Vitis vinifera L. ) são mais
suscetíveis ao míldio que as americanas e híbridas. É uma doença
séria nas regiões úmidas e quentes.
O míldio afeta todas as partes em desenvolvimento
da videira. Nas folhas os primeiros sintomas são um amarelo pálido,
na face superior folha (mancha de óleo),e,
na face inferior, por florescência branca. São esporos do fungo
que se disseminam facilmente.
As folhas,
as flores e os frutos secam quando o ataque é intenso. Os frutos
adquirem coloração cinza-azulada e mumificam-se. As variedades
viníferas são mais suscetíveis que as americanas.
O controle
pode ser feito com calda bordalesa,
ferbam, carbendazin, Dithane M-45, Captan ou Zineb. A calda bordalesa é a que
propicia melhor vegetação e, conseqüentemente, melhor produção
(Salim Simão et al. 1998).
Além das
doenças descritas, GALLI et al. (1968)
citam ainda a podridão amarga (Melanconium
fuligineum Cav) e a podridão da
uva madura (Glomerella cingulata Ston).
A primeira
causa dano aos cachos já formados e nos colhidos e armazenados.
A doença, atingindo o engaço, dificulta a passagem da seiva e
as bagas enrugam-se. Quando a doença atinge a baga, esta toma
coloração parda, apodrece e cai. O sabor se torna amargo.
A podridão
da uva pode ocorrer no pé ou durante o armazenamento e a comercialização.
Os sintomas são manchas pardo-avermelhadas que chegam a recobrir o fruto todo,
sobre as quais se notam pontuações ligeiramente salientes.
Os frutos
atacando desprendem-se com facilidade, não apresentando, como
no caso anterior, sabor amargo.
Recomenda-se, para o controle das
duas doenças, o uso de Maneb eZineb, Benomyl, Dithane M-48 (Salim Simão et al.
1998).

Fig.
1. "Mancha de óleo" típica de míldio
(Foto: G. Nakashima).

Parte de baixo da folha com frutificação
do fungo.
(Foto: G. Nakashima).

Sintoma de míldio no cacho "grão preto".
(Foto: G.
Nakashima).
Tabela
1. Eficácia média de fungicidas recomendados para o controle do
míldio baseado em resultados de três anos de avaliação. Bento
Gonçalves, 1998.
| Princípio
ativo
|
Concentração
g i.a. (%)
|
Dose
g i.a./hl
|
Ação
do produto
|
Eficácia
(%)
|
Classe
toxicológica
|
| Folpet |
50
|
90
|
Contato
|
70
a 90 |
IV
|
| Oxicloreto
de cobre |
50
|
137,5
|
Contato
|
<70
|
IV
|
| Oxicloreto
de cobre + Mancozeb |
20
+ 20 |
60
+ 60 |
Contato
|
70
a 90 |
III
|
| Sulfato
de cobre |
25
|
240
|
Contato
|
70
a 90 |
IV
|
| Mancozeb |
80
|
240
|
Contato
|
70
a 90 |
III
|
| Ditianon
|
75
|
93.75
|
Contato
|
>90
|
II
|
| Cymoxanil
+ Mancozeb |
8
+ 64 |
20
+ 160 |
Penetrante
+ Contato |
>90
|
III
|
| Metalaxil
+ Mancozeb |
8
+ 64 |
24
+ 192 |
Sistêmico
+ Contato |
>90
|
II
|
Declínio da Videira
Agente
causal: Eutypa lata (Pers.:Fr) Tul. et
c. Tul. Libertella blepharis A. L. Smith). O declínio da videira tem sido,
nos últimos anos, a principal doença desta cultura, em algumas
regiões do município de Jundiaí (SP), principalmente sobre a variedade
Niagara.
Em condições
de campo, o agente causal tem desenvolvimento vagaroso, decorrendo
3 a 4 anos para a parreira atacada mostrar
os sintomas iniciais do declínio. Os pés doentes manifestam definhamento
progressivo que paulatinamente acaba pela morte da planta. O começo
da doença se dá em seguida à operação da poda geral e, ao sobrevir
o abrolhamento, a brotação nova vem muito desigual com os brotos
sem uniformidade. As folhas se formam anormalmente menores, com
o broto crestado, o limbo tem coloração amarela com áreas bronzeadas
e nota-se logo ausência de florescimento. Grande
quantidade de brotos morrem e secam ao atingirem meio a
um centímetro de comprimento, assumindo coloração de palha. Estes
aspectos constitui o primeiro sinal visível da presença
da infecção. Esta se dá através dos cortes e ferimentos próprios
da poda e, em sendo assim, a poda é a responsável pela principal
transmissão do declínio.
Para o
controle deve arrancar e incinerar todas as videiras doentes,
bem como queimar a galharia e outros
restos da poda. Antes desta operação, efetuar um rigoroso tratamento
de inverno, tal como se faz para combater a antracnose;desinfetar
com água sanitária todas as ferramentas utilizadas na poda dos
pés afetados pelo declínio; na formação de novas parreiras, empregar
estacas de cavalos e de garfo provindo de região onde não há o
declínio das videiras.
Viroses
As viroses
– doenças causadas por vírus – das videiras assumem, na viticultura
atual, uma das maiores ameaças, a ela impondo prejuízos de considerável
importância. Pela redução que determina à produtividade (redução
do número e do tamanho dos cachos); pela restrição que ocasionam
ao vigor e à longevidade das cepas alocadas.
Duas importantes
viroses afligem, de longa data, a viticultura mundial: o nó-curto
(court-noué, roncer,
fanleaf) e o enrolamento da folha (enroulement, leaf roll).
O combate
restringe-se a medidas preventivas: evitar o emprego de material
de propagação (estacas, bacelos, garfos) infectado. Já que não
se conhece, por enquanto, vetor algum do vírus, este passa das
plantas atacadas para a sadia por via vegetativa.
Embora nas cultivares viníferas esta virose
cause sérios prejuízos, em cultivares americanas ou híbridas,
por apresentarem maior tolerância, os efeitos negativos da doença são menos pronunciados, mesmo assim, podem causar perdas
consideráveis na produção, afetando, inclusive, o teor de sólidos
solúveis e a acidez titulável do mosto.
A doença do enrolamento da folha é causada por um complexo de
oito vírus (Grapevine leafroll-associated virus, GLRaV), embora cada um dos vírus do complexo possa ocorrer
de forma isolada. No Brasil, já foram detectados os vírus GLRaV-1 e -3 e, mais recentemente,
o GLRaV-2 em vinhedos paulistas.
As videiras
americanas e híbridas não mostram os sintomas característicos
da doença. Pode ser observado, em cultivares como Niágara Branca, Niágara Rosada e
Concord, leve enrolamento e, às vezes, "queimadura" entre as nervuras
principais, bem como redução no desenvolvimento da planta. Na
cultivar Isabel, a redução no crescimento é o sintoma mais evidente.
As cultivares de porta-enxertos
não mostram qualquer sintoma nas folhas quando infectadas pelo
vírus, o que torna impossível a distinção entre plantas sadias
e doentes pela simples observação.

Sintomas
característicos da
virose do
Enrolamento da folha em cultivar
Vinífera.
(Foto: G. Kuhn)
Escoriose
Agente
causal:Phomopsis vitícola (Sacc.) Sacc. È uma doença importante
em regiões com excesso de chuvas, principalmente quando, após
a brotação, a planta permanece molhada por vários dias.
A
escoriose se manifesta principalmente
na base dos ramos do ano, apresentando os seguintes sintomas:
necroses fusiformes ou arredondadas escuras, rachaduras e escoriações
superficiais no córtex. No outono os ramos poderão se tornar esbranquiçados
a partir de sua base e conter pequenos pontos negros que são os
picnídios do fungo. Os ataques podem ocorrer nas nervuras principais
de folhas jovens, pecíolos e pedúnculo.
No limbo foliar, forma manchas arredondadas
de 3 mm a 15 mm de diâmetro, sendo
escura no centro e amarela(cloróticas)
na periferia.
Os ramos de ano podem quebrar facilmente
devido ao intumescimento da sua inserção. Devido à morte das gemas
basais a poda deve ser realizada na parte mediana do ramo, que
distancia muito a produção da cepa, causando desequilíbrio da
planta.
O
controle é por meio do uso de material de propagação sadio, queima
dos restos de cultura e uso de fungicidas.No inverno, reduzir
o inóculo pela remoção e destruição dos ramos doentes e/ou tratamento com calda sulfocálcica antes do inicio da brotação.
Na primavera, o controle deve ser realizado
nos estádios inicias da brotação, por ser a fase mais sensível
da planta, é nesta época que as condições climáticas são mais
favoráveis ao patógeno. Sendo recomendados tratamentos nos estádios 05 (ponta
verde) e 09 (duas a três folhas separadas).

Sintomas de escoriose nos ramos.
(Foto: G. Nakashima).

Sintomas de escoriose nas folhas.
(Foto: G. Nakashima).
Fusariose
Agente causal:
Fusarium oxysporum
f.sp. herbemontis. Esta doença causa redução drástica
da produtividade da videira por provocar a mortalidade de plantas,
além de ser uma doença de difícil controle.
A fusariose é uma doença vascular, provocando interrupção na
translocação da seiva. A doença reduz
o crescimento de brotos, e provoca escurecimento interno da madeira,
murchamento de folhas e de cachos. Os cachos murcham ainda
verdes ficando aderidos aos ramos. As plantas infectadas podem
morrer subitamente, normalmente em reboleiras.
Em outras plantas pode-se verificar brotações
no tronco, que também morrerão com a evolução da doença.
As medidas
de controle são preventivas, pois o controle químico não é eficaz.
As medidas preventivas recomendadas são: plantar em áreas livres
da doença, adotar práticas que não provocam ferimentos ao sistema
radicular, escolher solos bem drenados para a instalação do vinhedo,
usar material de propagação sadio. Em áreas já contaminadas deve-se
proceder ao arranquio das plantas infectadas
com o máximo possível de raízes e queimá-las, aplicar cal virgem
nas covas, evitar o uso de máquinas em áreas contaminadas e depois
em áreas de vinhedos sadios, controlar a erosão para evitar o
escoamento de águas superficiais de áreas contaminadas para áreas
não contaminadas. A principal medida de controle é a
utilização de porta-enxertos resistentes. O porta-enxerto Paulsen 1103 tem mostrado boa tolerância à fusariose, enquanto o porta-enxerto
So4 é muito suscetível; a cv. Isabel
de pé franco apresenta boa tolerância ao patógeno.

Sintoma de fusariose na região do tronco da planta.
Corte transversal (Foto: L. Garrido).
Cancro bacteriano
Agente
causal: Bactéria Xanthomonas campestris pv. Viticola. Foi identificada
pela primeira vez no Brasil em 1998, em vinhedos do Submédio do Vale do São Francisco (PE e BA) e no Piauí. É
atualmente, a doença bacteriana da videira mais importante, especialmente
na Região do Vale do São Francisco, considerando a suscetibilidade
das cultivares plantadas, a natureza da doença, que pode ocorrer
de forma sistêmica (infecta toda a planta), e as condições climáticas
favoráveis. Nas demais regiões vitícolas
do país, embora ainda não seja conhecida, a doença tem uma importância
potencial, visto que de modo geral as cultivares de Vitis vinifera são
suscetíveis. O patógeno é transmitido
principalmente através do material propagativo
infectado e por meio de ferramentas utilizadas nas operações de
desbrota, poda, raleio
de bagas e colheita.
Os sintomas
ocorrem na folha com pequenas manchas angulares escuras, circundadas
ou não por um halo amarelado, distribuídas de forma esparsa ou
concentradas próximo às nervuras e bordas das folhas. Nas nervuras
e pecíolos podem aparecer manchas escuras, alongadas e irregulares.
Nos ramos verdes e em ramos maduros, ocorre a formação de cancros
e rachaduras longitudinais. No cacho, ocorrem fissuras e fendas
necróticas no engaço e lesões escuras
ligeiramente arredondadas nas bagas. Em cachos já formados, após
a necrose da ráquis e de pedicelos,
ocorre murcha das bagas. Os sintomas variam em intensidade, dependendo
da cultivar afetada. No Submédio do Vale do São Francisco, a cultivar Red Globe e algumas cultivares sem sementes, principalmente, aquelas originadas
da cultivar Thompson Seedless, têm se
mostrado mais sensíveis, apresentando alta incidência em alguns
parreirais. Cultivares suscetíveis têm a produção reduzida e as
plantas infectadas, geralmente, produzem
cachos com sintomas de cancro no engaço, o que torna a uva de
mesa sem valor comercial.
O
controle mais eficiente da doença está na utilização de mudas e material propagativo sadio,
de modo a evitar introdução da doença na propriedade. Especialmente
em regiões onde a doença não é conhecida os cuidados devem ser
redobrados, evitando-se a introdução de material propagativo
das regiões onde a doença já foi detectada. Além do material propagativo
deve-se controlar também a introdução de uva, especialmente para
vinificação, pois a bactéria pode contaminar os cachos (pedúnculo,
engaço), os quais, após a eliminação da cantina são distribuídos
como matéria orgânica nos vinhedos, podendo transformar-se, assim,
num meio de introdução e disseminação da bactéria nos vinhedos.
Em região de ocorrência do cancro bacteriano, o manejo da doença
deve ser feito, principalmente, no período seco, época desfavorável
à infecção. Entre as principais medidas podemos citar a poda de ramos infectados, a poda drástica
ou poda de recepa, a eliminação de plantas
com altos níveis de infecção, a desinfestação
de tesouras e de canivetes, a queima de restos de cultura, principalmente
aqueles resultantes da poda de ramos e de cachos infectados e
da eliminação de plantas doentes. No Brasil, ainda não há produtos
registrados para o controle do cancro bacteriano em videira. Entretanto,
produtos à base de cobre têm sido utilizados em pulverizações
e pincelamentos.
Na avaliação da resistência de vários
materiais de videira ao cancro bacteriano, observou-se em condições
de campo, que V. vinifera foi altamente
suscetível à doença, enquanto V.
labrusca apresenta certa
resistência.

Sintomas em ramos e folhas
causados pela bactéria Xanthomonas campestris
pv. viticola.
(Foto: G. Kuhn).
Pragas
A videira,
à semelhança de outras culturas, é suscetível ao ataque de vários
insetos e ácaros. Até a presente data, entretanto, as pragas não
têm sido consideradas um fator limitante para a produção vitícola no Vale do Submédio São
Francisco, uma vez que vêm sendo eficientemente controladas com
o uso de agroquímicos.
Cochonilhas
As cochonilhas
são insetos, de modo genérico, reconhecíveis porque vivem grudados
ao caule, tronco, sarmentos e bacelos das parreira,
que danificam as plantas através da sucção de seiva, cobertos
por escudo ceroso, às vezes duro e resistente, outras vezes mais facilmente atacáveis por remédio. Provocam fitotoxicidade devido à injeção de enzimas digestivas, depositam
excreções açucaradas nas folhas, resultando no aparecimento da
fumagina e, às vezes, são responsáveis pela transmissão de
agentes patogênicos. Como medida de controle, recomenda-se a poda
de inverno que ajuda a eliminar o inseto dos ramos infestados.
Após a poda, deve-se pincelar com sulfato de ferrro
a 30% ou, mais adotado atualmente, pulverizaçõe
antes do inchamento das gemas, quer com calda sulfocálcia
a 38 Baumé (1 litro de calda + 8 de água), quer com pulverizações
de dinitro-ortocresol (Rafatox, Selinon, EK 54), a 1% em
água, ou ainda, com mistura de ½ litros de Dinoseb( Gebutox) + 2 litros de óleo mineral miscível + 100
litros de água (Julio Seabra Inglez
de Souza et al.1996). Associam 1% de óleo mineral ou vegetal para auxiliar
na ação dos inseticidas, porém, dependendo dos cultivares, como
a Concord, pode ocorrer fitotoxicidade, sendo necessário utilizar menores concentrações.É importante que o controle seja direcionado
à fase de ninfa, que geralmente ocorre no início da brotação,
visto que quando a fêmea está completamente desenvolvida, os inseticidas
não atingem os ovos mantidos sob a carapaça, reduzindo a eficiência
do tratamento. Além disso, o período de alimentação do inseto
é maior, aumentando os danos à planta. As espécies descritas a
seguir são importantes em vinhedos da região Sul do Brasil.
Parda ou do ramo-novo
Parthenolecanium persicae (Fabricius, 1776) (Hemiptera: Coccidae): : A cochonilha-parda apresenta
uma geração por ano, reproduzindo-se
por partenogênese
no período de outubroa de zembro.

Cochonilha-parda
em ramos de videira.
(Foto: M. Botton)

Cochonilha-parda
em ramos de videira.
(Foto: M. Botton)
Cochonilha-do-tronco
Hemiberlesia lataniae (Signoret, 1869), Duplaspidiotus tesseratus (Charmoy,
1899) e D. fossor (Newstead, 1914) (Hemiptera: Diaspididae): As cochonilhas-do-tronco estão freqüentemente associadas aos
vinhedos, principalmente da cultivar Niágara,
sendo muito semelhantes entre si.

Cochonilha-do-tronco.
(Foto:
M. Botton)
Cigarrinha-das-fruteiras
Aethalion reticulatum (L., 1767) (Hemiptera: Aetalionidae): Como este
inseto apresenta hábito gregário, as ninfas (Figura 8) são facilmente
destruídas manualmente, o que pode ser feito no momento da poda
de inverno.

Cigarrinha-das-fruteiras em ramo de videira.
(Foto: M.
Botton).
Os ácaros
que atacam a videira têm sido mais prejudiciais às cultivares
viníferas produzidas em regiões tropicais, onde o clima é
seco, favorecendo a multiplicação. A espécie que mais destaca
é o ácaro branco.
Ácaro
branco
Polyphagotarsonemus latus (Banks,
1904) (Acari: Tarsonemidae): O ácaro
branco é uma praga polífaga, sendo que
na cultura da videira o ataque resulta num encurtamento dos ramos
devido a alimentação contínua nas folhas
novas. Nas situações de elevada infestação, o controle deve ser
realizado com acaricidas específicos. Em baixas infestações, pode
ser empregado o enxofre, direcionando-se o tratamento às brotações
novas. Entretanto, o uso do enxofre pode causar fitotoxicidade em cultivares americanas.
|
Dano do ácaro branco em ramos de videira.
(Foto: M. Botton).
Mosca-das-frutas
A mosca-das-frutas tem sido relatada danificando principalmente
uvas de mesa, embora em vinhedos destinados ao processamento os
danos ainda não tenham sido avaliados. Suas larvas vermiformes e sem pernas causam destruição parcial da polpa,
determinando seu posterior apodrecimento. Das moscas de frutas,
a que mais comumente estraga a uva é Ceratitis
capitata Wiedl, internacionalmente
conhecida como mosca do Mediterrâneo; tem aproximadamente o tamanho
das moscas caseiras, de coloração amarelada-marrom,
com tórax pintado de preto e branco e asas desenhadas mosaicos.
O melhor
combate consiste em tratamentos atrativos envenenados (iscas)
ou seja, pulverizações com solução de Malathion
ou Fenthion + melaço. Outra receita
é dimethoate (Cygon, Fentron, Roxion); vercaptothion (Avigard, Chemthion, Datathion, Extermathion, Maladrex, Malasol, Malathion) ou trichlorfon (Danex, Dipterex) + um atrativo que pode ser açúcar ou proteína de
peixe solúvel (cheiro forte que chama as moscas para a isca mortal)
+ água (Julio Seabra Inglez de Souza
et al. 1996). Exemplo: 300g de dimethoate 20% pó solúvel + 600g de proteína de peixe solúvel
+100 litros de água. Aplicar 50 litros/há.
Além destes
remédios, que são eficiente, há ainda
as armadilhas à base de metil-eugenol,
que atraem os machos das moscas e que, uma vez aprisionados, são
facilmente liquidados.

Mosca-das-frutas
fêmea (esquerda) e macho (direita).
(Foto: E. Hickel).
Filoxera
A Filoxera ( Phylloxera vitifoliae) é
um inseto sulgador de menos de 2 milímetro
de comprimento, dificilmente perceptível a olho nu, munido de
um bico com o qual suga a seiva das folhas e raízes, da videira
para a sua alimentação. Para o controle desta praga, não existem
inseticidas que possam ser empregados de forma econômica para
o controle do inseto nas raízes. O emprego de inseticidas neonicotinóides auxilia na redução de infestações no sistema
radicular, porém, de forma isolada, não são eficientes para evitar
que ocorram prejuízos à cultura, além da possibilidade de selecionar
populações resistentes. A maneira mais eficiente para evitar os
danos do inseto é através do emprego de porta-enxertos resistentes. De modo geral, todos os porta-enxertos empregados
na região de clima temperado são resistentes.

Nodosidades causadas pela filoxera em raízes de videira.
(Foto: M. Botton).

Galhas da filoxera em folhas de porta-enxerto.
(Foto: M. Botton).
Pérola-da-terra
A Pérola-da terra, Eurhizococcus brasiliensis
(Hempel, 1922) (Hemiptera:
Margarodidae) A pérola-da-terra é uma cochonilha subterrânea que
ataca as raízes de plantas cultivadas e silvestres. O inseto é
considerado a principal praga da videira sendo responsável pelo
abandono da cultura em várias localidades devido as
dificuldades de controle. A sucção da seiva efetuada pelo inseto
nas raízes provoca um definhamento progressivo da videira, com
redução na produção e conseqüente morte das plantas.
Para prevenir
sua introdução em áreas indenes, sugerem-se as seguintes medidas:
não plantar estacas enraizadas ou mudas de videira procedentes
de locais onde a praga ocorra; evitar o plantio na propriedade
de plantas hospedeiras da praga, procedentes de áreas infestadas;
tratar as mudas de videira dormentes mediante imersão em água
quente a 50°C por cinco minutos ou expurgo com fosfina
por perído de três dias. Já em áreas onde a praga está presente
pode-se proceder a aplicação de inseticidas
sistêmico granulados no solo (Botton
et al. 2000) verificaram eficiência de tiametoxã e de imidaclopride; o
primeiro, em formulação granulada, pode ser aplicado diretamente
no solo, mediante a abertura de sulco ao redor da planta, o segundo
deve ser diluído em água e regado no solo, na região onde se encotra
o sistema radicular da videira.
O método ideal para controle dessa praga
seria o uso de porta-enxertos
resistentes. Pesquisas nesse sentido vêm sendo conduzidas
pelo IAC na região de Angatuba, Sp, e área infestada pelo inseto,
onde o porta-enxerto IAC 571-6 apresentou
resistência moderada, em comparação com Ripária do Traviú.
Ainda nessa linha de pesquisa, (Soria
et al. I999) também verificaram comportamento diferenciado de porta-enxertos de videira derivados de Vitis rotundifolia, os quais mostraram-se
mais resistentes do que porta-exertos
pertencentes a difernetes espécies de
Vitis, em solo infestado por E. brasiliensis, na região de Bento Gonçalves, RS.

Pérola-da-terra
em raízes de videira.
(Foto:
G. Kuhn).
Colheita
As condições
tropicais favoráveis ao crescimento
contínuo das videiras permitem que a época das
podas sejam reguladas pela demanda de mercado, podendo-se
obter colheitas escalonadas ou concentradas.
Sabendo-se que os ciclos feno lógicos das cultivares
Itália e Piratininga são de 110 a 120 dias e que o período de
repouso entre os ciclos é de 30 dias, estabelece-se que uma área
pode produzir duas vezes e meia ao ano de forma equilibrada e
sem que as plantas sejam esgotadas.
Exemplo:
Supondo-se que num vinhedo da cultivar
Itália estabelecido no espaçamento de 4
x 2 m (1.250 plantas/hectare) todas
as plantas fiquem, após uma poda bem executada, com cinco (5)
braços secundários e que cada braço tenha três (3) unidades de
produção, ou seja, três varas produtivas com oito gemas cada,
e considerando-se a fertilidade destas como sendo de três cachos
em média.
Dispondo-se de 56.250 cachos por
hectare e sabendo-se que o peso ideal dos cachos, para fins de
exportação, é de 400 a 500 g.
Para que o cálculo
da produtividade de uma área possa ser preciso é indispensável
que as podas e a condução dos ramos sejam bem executadas, que
as plantas estejam nutricionalmente bem equilibradas, não havendo problemas com
a fertilidade dos ramos brotados.
A maturação
das uvas é um processo fisiológico que se caracteriza pelo incremento
do conteúdo de açúcar, a diminuição da acidez, o aumento das antocianinas
responsáveis pela coloração da película das uvas rosadas e pretas
e a modificação da textura e do aroma típicos de cada cultivar.
É de fundamental
importância que a colheita dos cachos seja realizada no ponto
ideal para o consumo, pois as uvas cessam o processo de maturação
após terem sido colhidas, permanecendo inalterados os teores de
açúcares e de ácidos.
Normalmente, as uvas são colhidas
quando o teor de sólidos solúveis atinge nível superior a 15°
Brix, uma vez que, sob condições tropicais, elas são menos
ácidas e apresentam boa palatabilidade,
ainda que possuam um teor de açúcares comparativamente menor.
O teor de açúcar das uvas é determinado pelo refratômetro.
Outro
aspecto, de relevante importância, associado às uvas colhidas
para exportação, diz respeito ao tamanho dos bagos, que devem
medir, no mínimo, 22 milímetros de diâmetro. Quando o vinhedo
é conduzido segundo as recomendações desta publicação
, o percentual de
uvas com esse diâmetro é alto, resultando no aproveitamento quase
que total dos cachos para exportação.
Os colheitadores devem colher os cachos maduros, cuja película apresente coloração o mais uniforme possível, cortando os pedúnculos bem compridos,
o que evita a desidratação do engaço. Os cachos são cuidadosamente
colocados, em camada única, em contentores
próprios para colheita com 10 kg de capacidade. Esses contentores devem ser revestidos com um forro de polietileno
expandido ou similar de 4 mm de espessura,
para que não haja danos mecânicos nos cachos.
A manipulação
dos cachos pelos trabalhadores deve ser mínima, para evitar que
as uvas percam a pruína (cerosidade
natural), que lhes dá um aspecto de frescor e as tomam apetecíveis
para os consumidores.
É conveniente
que a colheita seja feita nas horas mais frescas do dia e que
os contentores sejam imediatamente levados
para o setor de embalagem da fazenda. Desse modo, as uvas apresentarão
menor tem peratura, demorando menos tempo para perder o calor do campo.
Embalagem
A embalagem das uvas pode ser feita
em galpões abertos ou fechados, com refrigeração
(“packing house”).
Tratando-se de frutas para exportação, é muito importante que
o produtor disponha de um local bem sombreado e arejado onde possa
embalar as uvas e que as caixas não fiquem expostas ao sol, quer
se trate dos contentores que chegam do campo ou das caixas de uvas embaladas.
Os cachos
são limpos e os bagos danificados e ou muito pequenos são eliminados.
A seguir, são selecionados, segundo a classificação e a categoria
a que pertencem.
Utilizam-se, para embalar as uvas,
caixas de papelão parafinado, especificamente
confeccionadas para esse fim.
Armazenamento
Uma vez
colhidas e em baladas, as uvas devem ser armazenadas e transportadas
sob condições adequadas, para que possam chegar ao consumidor
em ótimas condições de consumo. Os seguintes cuidados são, pois,
indispensáveis:
Tratamento
com anidrido sulfuroso
Para retardar
a ocorrência de podridões por fungos nas uvas que vão ser armazenadas,
recomenda-se fumigá-las com anidrido sulfuroso. Este tem uma
ação fungicida, que elimina todos os fungos que existem sobre
os cachos e também conserva a coloração
verde da ráquis por mais tempo.
A aplicação
do anidrido sulfuroso pode ser feita de diferentes maneiras, seja
em câmaras de fumigação, pela queima de enxofre ou pela liberação
direta do gás comprimido proveniente de botijões, seja mediante
a colocação em cada caixa de uva, de um papel gerador dessa substância.
Refrigeração
A elevada
transpiração das uvas colhidas decorre
da alta temperatura com que as frutas chegam do campo. É necessário,
portanto, submetê-las a um pré-resfriamento por duas a três
horas, a fim de provocar a queda substancial dessa temperatura,
com vistas à uma melhore mais prolongada
conservação do produto.
Depois
do pré-resfriamento, as caixas são colocadas
em câmara fria para conservar as uvas, caso elas não sejam comercializadas
de imediato.
Referência Bibliográfica
. NÚCLEO
DE ESTUDO EM FRUTICULTURA
. EMBRAPA
– UVA E VINHO