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Caderno Rural Mês de Outubro


Em busca de novas culturas


A vitivinicultura e a alhicultura constituem a atividade mais tradicional nos municípios de Flores da Cunha e Nova Pádua. Entretanto, agricultores dos dois municípios vem investindo e apostando em diversificação. Novas culturas e diferentes maneiras de plantar começam a ganhar espaço e destaque na agricultura. Culturas como alcachofra, alface hidropônica, mirtilo, morangos semi-hidropônicos e mel ajudam a completar a renda familiar e se tornam produtos rentáveis para os agricultores. “A única coisa que precisa é de mais incentivo nessas novas culturas”, destacou o agricultor Luis Bernardi. Conheça um pouco mais sobre os novos cultivos.

Nova tecnologias garantem qualidade do morango

Arlindo Calgaro e Izaía Galiotto comercializam fruta para Alemanha, Holanda e França


No sistema semi-hidropônico os morangos produzidos ficam suspenses.



Izaías Galiotto e Arlindo Calgaro investiram na nova cultura.

Imagine comer morangos cultivados na casca de arroz carbonizada e dentro de estufas altas. Num processo que tem como base os princípios da sustentabilidade e que garante a segurança dos produtores, dos consumidores e do ambiente. Essa é a proposta do sistema de produção semi-hidropônico de morangos, desenvolvido pela Embrapa Uva e Vinho.

As pesquisas com o sistema semi-hidropônico de morangos foram iniciadas há cerca de três anos e já apresentam resultados que indicam ser uma excelente alternativa para implementar a produção integrada em morangos.

O sistema semi-hidropônico de morangos está sendo desenvolvido pelos agricultores Arlindo Calgaro, 33 anos, e Izaía José Galiotto, 42 anos, em Otávio Rocha. Os agricultores, numa parceria com o SEBRAE-RS, estão exportando a fruta semi-hidropônica para Holanda, Alemanha e França. “Estamos investindo com visão na exportação que é um mercado diferenciado”, pontua Calgaro.

Há um ano e meio, Calgaro, que produz morangos há oito anos, viu uma experiência com o sistema hidropônico em Farroupilha, entrou em contato com um engenheiro agrônomo e resolveu experimentar. Calgaro abandonou a produção convencional de morangos e numa área coberta de 13 mil metros quadrados plantou 200 mil pés de morangos semi-hidropônicos. O agricultor Izaía Galiotto, que tem 50 mil pés de morangos semi-hidropônicos, ainda planta morangos no sistema convencional, entretanto, para o próximo ano, o agricultor pretende cultivar 200 mil pés do morango semi-hidropônico e abandonar a produção na terra. “Para preparar deu trabalho, mas acho que agora vem a recompensa”, diz Galiotto.

Requisitos do Sistema

O sistema exige um alto investimento inicial para a construção de estufas altas, aquisição das mudas de qualidade e sadias e no estabelecimento do sistema de ferti-irrigação. Conforme pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho Rosa Maria Sanhueza o investimento é estimado em no mínimo R$ 5 mil para cada 5000 plantas. Além disso, ela destaca que é necessário a qualificação dos produtores e a contratação de um técnico para prestar assistência técnica e acompanhamento na propriedade. “Acredito que vou ter retorno, porque o nosso trabalho é para mudar o conceito do que falam sobre o morango”, diz Calgaro.

Segundo a pesquisadora, mesmo com os altos investimentos, os resultados da experiência dos ciclos anteriores mostram que o sistema é rentável devido a qualidade diferenciada da fruta obtida e a maior produção por área e a extensão do ciclo.

A Produção

Junto, os dois agricultores, além de exportarem os produtos, criaram a marca D’Flores. A fruta é produzida dentro das normas para exportação, sendo que cuidados com o manejo e higiene dos produtos é essencial. Nas caixas dos produtos são especificadas todas as identificações da fruta. “Nós temos a melhor fruta do mundo, mas estávamos perdendo qualidade quando colhíamos”, aponta Galiotto.

Este ano, os agricultores irão colher a primeira safra e esperam produzir 250 mil quilos. A colheita acontece entre os meses de novembro e dezembro.

Conforme os agricultores os lucros variam de 20% a mais em comparação com os morangos convencionais. “O mercado externo faz exigências, mas paga por elas”, diz Calgaro. Os agricultores agora estão em busca do certificado de produção de morangos.


Morangos Semi-Hidropônicos

Características da produção: a plantação de morangos nesse sistema é realizada dentro de estufas altas, em prateleiras de um a três níveis. O cultivo é estabelecido em substrato constituído por resíduos orgânicos, como casca de arroz carbonizada e casca de Pinus, acondicionados em bolsas plásticas com perfurações na parte superior, para instalação do sistema de ferti-irrigação e plantio de mudas, e na parte lateral inferior para facilitar a drenagem. Dessa forma, os morangos produzidos ficam suspensos.

Agrotóxicos: nesse sistema o vigor das plantas é controlado e para o manejo de pragas e doenças utiliza-se o monitoramento das pragas, com o descarte de folhas e frutos infectados e o controle biológico, reduzindo-se ao máximo a utilização de pesticidas.

Vantagens do sistema:

O produtor não precisa fazer rotação das áreas de produção, podendo a triplicar o potencial de uso da terra;

Otimiza a área de produção, em função do plantio das mudas em prateleiras em diferentes níveis;

Por ser em estufas, o sistema protege as plantas do efeito da chuva e facilita a ventilação, condições que impedem o estabelecimento de infecções reduzindo-se o estabelecimento das doenças;

Permite a produção de frutas com maior qualidade e menor perda por podridões;

O período de colheita pode ser estendido em pelo menos dois meses;

O sistema facilita a adoção de princípios de segurança dos alimentos, possibilitando a maior aceitação dos morangos pelo consumidor.

Comparação entre os principais sistemas de produção
Produção Convencional
Práticas de manejo da cultura usadas parcialmente e sem restrições;

Treinamento e atualização técnica opcional;

Não há necessidade de definir opção pelo sistema;

Manejo de fertilizantes de acordo com a decisão do proprietário;

Agroquímicos registrados para uso na cultura;

A vida de prateleira depende do manejo e armazenamento pós-colheita.

Produção Integrada

Práticas de manejo são orientadas pelas normas técnicas de PI;

Treinamento e atualização técnica obrigatórios;

Opção por adesão ao sistema em documento assinado com a certificadora;

Fertilização química com limitações definidas;

Restrição ao uso de agroquímicos permitido mas que apresentem impacto ambiental indesejável e /ou potencial de eliminação de organismos benéficos;

A vida de prateleira depende do manejo e armazenamento pós-colheita.

Produção Orgânica

Práticas de manejo são orientadas nas normas de produção orgânica;

Treinamento e atualização de técnica opcionais;

Opção por adesão em documento assinado com a certificadora;

Não permitido o uso de fertilizantes de origem sintética;

Proibição de uso de agroquímicos sintéticos;

No geral, a vida de prateleira é menor que a dos outros dois sistemas.

Uma flor na mesa


Jorge Martello projeta colher mais de cinco mil alcachofras)

Alcachofra é cultivada por agricultor de Nova Pádua

Considerada uma iguaria exótica, a alcachofra, também conhecida na região como artichoqui, vem sendo produzida há dois anos pelo agricultor Jorge Martello, 49 anos, em sua propriedade no Travessão Bonito, em Nova Pádua. O investimento pela alcachofra se deu por acaso. Martello ouviu uma reportagem e a partir daí resolveu apostar no mercado. “Não tinha nada para plantar e resolvi experimentar. Eu investi e tive sucesso”, conta o agricultor, que plantou mil pés.

Ainda pouco conhecida, a alcachofra é uma flor imatura, pertencente a mesma família das margaridas e dos girassóis. Da hortaliça se consome apenas a parte carnuda das pétalas e o fundo da flor, depois de retirados os espinhos. Na alcachofra, tudo se aproveita, diz Martello. “Vendemos tanto as flores quanto as folhas”, aponta. O agricultor comercializa a R$ 1 cada alcachofra para os mercados de Flores da Cunha, Caxias do Sul e Porto Alegre.

De junho a novembro, se dá o processo de plantio e época de colheita da alcachofra. “Estamos começando a colher agora. Vamos colhendo aos poucos porque as alcachofras não amadurecem todas juntas”, explica.

A despesa na manutenção das alcachofras, conforme Martello, é baixa, já que os gastos se limitam à compra da semente importada e das mudas, mais um pouco de adubo e tratamento. “Ela exige bastante água”, diz. Para o próximo ano, o agricultor já está pensando em deixar as alcachofras rebrotarem. Cada pé de alcachofra produz de oito a dez flores. Martello projeta colher cerca de cinco mil alcachofras este ano. “Vendi tudo no ano passado e até agora elas só me deram lucro”.

Curiosidades sobre a alcachofra

As alcachofras foram trazidas para o Brasil pelos imigrantes europeus, há cerca de 100 anos;

Seu nome científico é Cynara Scolymus;

A cada 100g comestíveis são encontrados boas doses de vitaminas do complexo B, potássio, cálcio, fósforo, iodo, sódio, magnésio e ferro;

Quando fica velha e não é colhida a alcachofra abre uma flor azul;

A lista de suas qualidades terapêuticas inclui: efeitos diuréticos, estimulante da vesícula biliar, ativador da digestão, redutor do colesterol e inibição do envelhecimento das células. Ajuda na melhora das funções do fígado, além de combater problemas hepáticos e diabéticos.

No século XVI o consumo da alcachofra na França chegou a ser proibido para as mulheres, já que a iguaria era considerada um afrodisíaco.

Dicas para preparar a alcachofra

Corte o talo perto da base e lave a alcachofra em água corrente abrindo bem as pétalas para que a água penetre.

Coloque em uma panela com água que cubra as alcachofras.

O tempo médio de cozimento é de aproximadamente 40 minutos, dependendo do tamanho e idade da alcachofra.

Para saber se a alcachofra está cozida, é só puxar uma folha, se ela se soltar com facilidade é porque está no ponto.

Cultura hidropônica em expansão

Além do cultivo da alface agricultor pretende investir em radici e rúcula

O cultivo de hortaliças em hidroponia - trabalhos com água - é uma técnica que ganha espaço tanto no país quanto no exterior. Foi pensando nesse mercado promissor que o agricultor Valdomiro Marcante, 29 anos, morador do Travessão Cerro Grande, em Nova Pádua, resolveu investir na cultura das alfaces hidropônicas. Há cinco anos o agricultor, que estudou sobre culturas hidropônicas no Rio de Janeiro, resolveu cultivar alface hidropônica nas terras da família. No início eram dois mil pés por mês cultivados na água. Hoje a produção está em oito mil pés por mês. Os meses de inverno representam maior comercialização, já que a alface convencional não é produzida. “A grande vantagem da alface hidropônica é que ela apresenta menos doença, dá menos trabalho e há uma maior qualidade em relação àquela plantada na terra”, diz Marcante.

O agricultor vende as alfaces hidropônicas para mercados de Flores da Cunha e está iniciando no mercado de Caxias do Sul. Cada alface é vendida a R$ 0,40. “Os investimentos para o cultivo são altos, mas o retorno é bom”, pontua Marcante, que aponta um gasto de 70% na produção. Para o futuro, o agricultor quer diversificar as culturas hidropônicas cultivando radici e rúcula.

O processo da cultura

Primeira parte: A alface é semeada num local chamado de sementeira onde permanece de 20 a 30 dias dependendo da época do ano. Nesse local ela é regada três vezes ao dia.

A alface segue para o Berçário onde irá receber a solução nutritiva com sais minerais. Nesse local ela fica até suas raízes crescerem.

Corresponde a etapa final do processo onde a alface permanece de 45 a 59 dias até ser embalada.

O que é hidroponia

A hidroponia é uma técnica alternativa de cultivo protegido em que o solo é substituído por uma solução aquosa contendo apenas os elementos minerais que os vegetais necessitam. Os produtos hidropônicos podem ser cultivados em pequenas áreas, produzem fora da época e ajudam a reduzir o uso de agrotóxicos. O cultivo hidropônico aplica-se às culturas de rúcula, agrião, radici, tomate, morango, entre outros.

Primeiros passos na cultura do Mirtilo

Fruta exótica é produção em Otávio Rocha -







Luis Bernardi mostra os pés, ainda pequenos, da fruta.

Uma pequena fruta, menor que um grão de uva e que quando madura fica com a cor de jabuticaba vem ganhando espaço no mercado. Esse é o mirtilo, uma fruta ainda pouco conhecida e cultivada no país, mas que faz bastante sucesso nos Estados Unidos e Europa. O blueberry, em inglês, está tendo uma ampla divulgação devido aos seus aspectos nutritivos, o que tem impulsionado o cultivo em regiões não-tradicionais como a América do Sul, na qual destaca-se o Chile como principal produtor.

No Travessão Carvalho, em Otávio Rocha, o agricultor Luis Bernardi, 39 anos, vem desde dezembro do ano passado cultivando o mirtilo. Sempre atento ao plantio de novas culturas, Bernardi conheceu a fruta através de um primo. “Ele me contou sobre os benefícios do mirtilo e me disse que não tinha terra para plantar então me ofereci para cultivar”, conta Bernardi. A intenção do agricultor, que plantou mil pés, é exportar para a Itália se beneficiando da possibilidade de produção durante a entressafra deste país. Para tanto uma associação de produtores está sendo formada.

A área de meio hectare já está produzindo, entretanto somente daqui a um tempo Bernardi venha colher o mirtilo. “No ano que vem talvez venha a conferir os lucros”, projeta.

A planta é cultivada sem nenhum tipo de agrotóxico. Os gastos para o mirtilo ficam por conta das mudas e do sistema de irrigação que é necessário para o bom desenvolvimento da fruta. Além da irrigação, Bernardi também utiliza os cachos de uva para manter a umidade do solo. Apesar de ainda não ter experiência no cultivo, Bernardi está apostando no mercado externo e tem projeção de aumentar para 1,5 hectare a produção de mirtilo.

Características do Mirtilo

Nome científico: Vaccinium Asbey Read

Origem e dispersão: o mirtilo é uma planta nativa da América do Norte, desde o Sul dos Estados Unidos até o Leste do Canadá.

Características: o mirtilo é uma planta arbustiva, o fruto é uma baga que quando maduro adquire a coloração azul arroxeada, de tamanho pequeno e sabor doce-ácido. Cada pé de mirtilo produz em média de dois a três quilos por safra, que é colhido nos meses de novembro e dezembro. Um quilo de mirtilo é vendido ao consumidor em torno de R$ 60. “É uma fruta que exige cuidados, por isso precisa ter uma recompensa”, diz o agricultor Luis Bernardi.

Clima e Solo: a planta se adapta bem ao clima temperado. O mirtilo é uma planta que exige solos com ph ácido.

Utilização: os frutos podem ser utilizados para consumo “in natura”, sucos, geléias, iogurtes.

Propriedades nutricionais: atua nas funções digestivas e respiratórias. Tem uso comprovado na oftalmologia, dermatologia e reumatologia. É indicado contra diarréia aguda, diabetes, inflamações leves da mucosa bucofarígena, fragilidade capilar e insuficiência venosa (varizes e hemorróidas). A folha do mirtilo pode ser utilizada para fazer chá.

Mais doce que o mel

Mudanças na apicultura diversificam produção –


Arcângelo Andrighetti

Há alguns anos, quando se falava em apicultura ou manejo racional de abelhas no Brasil imediatamente pensava-se em produção de mel. Com a evolução da apicultura no país passou-se, posteriormente, a serem desenvolvidos métodos de produção de geléia real, mel, pólen, própolis e cera. Além de produtos manipulados como, por exemplo, hidromel, cremes, shampoos, sabonetes, entre outros.

Investir no mel é o que o produtor Arcângelo Andrighetti, 78 anos, se dedica há 60 anos. Andrighetti tem apiários em toda a região. “Gosto de trabalhar com o mel e enquanto estiver apto para trabalhar vou continuar”, frisa o produtor. No ano passado, Andrighetti produziu 1,5 mil Kg de mel. Para esse ano, a projeção é colher entre 1,3 mil a 1,4 mil Kg. O produtor vende o mel em sua casa e para os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Cada quilo de mel é vendido a R$ 5.

Outro adepto do cultivo do mel é o produtor Abel Menegon, 53 anos, que há 30 anos produz mel. Menegon possui 25 colméias. “Pretendo continuar produzindo, mas não vou aumentar o número de colméias”, diz. O produtor compara as abelhas como uma família. “Elas são como uma família, algumas rendem mais outras menos”. Menegon produz cerca de 10kg por caixa que contém de 12 a 15 favos. O produto é vendido a R$ 5 particularmente. “O mercado é bom”, aponta Menegon que colhe o mel três vezes ao ano, nos meses de outubro, novembro e março.

A produção do mel depende do tempo, sendo que a primavera é a melhor época para iniciar uma produção. Os gastos se limitam a manutenção e limpeza dos apiários. “Tem mais lucro do que gasto”, diz Menegon.

Saiba mais

O mel por definição é o néctar colhido nas flores pelas abelhas e transformado em mel pela desidratação realizada pelas abelhas e pela adição de enzimas.

O homem usa o mel basicamente como alimento, mas há pessoas que lhe atribuem propriedades terapêuticas.

Apiterapia é a ciência da cura das enfermidades com produtos apícolas, embora tendo uma denominação nova, tem profundas raízes na medicina na medicina tradicional de muitos povos.

Apicultura é o ramo da agricultura que estuda as abelhas produtoras de mel e as técnicas para explora-las.

Apicultor é a pessoa que se encarrega de cultivar os produtos proporcionados pelas abelhas. É ele quem sabe o melhor momento de colher e a quantidade que pode extrair. O apicultor tira os favos que contêm mel maduro e os coloca em uma máquina centrífuga, que extrairá o mel sem quebrar os favos, que podem ser utilizados novamente.

Apiário é um conjunto racional de colméias, instalado em um determinado local para o confinamento das abelhas.

Curiosidades sobre a produção de mel


Abel Menegon

A abelha rainha se alimenta apenas de geléia real. Ela põe entre 2 a 3 mil ovos por dia.

O consumo de mel no Brasil é de 200 gramas por pessoa por ano.

China, México e Argentina são os principais países exportadores de mel.

Alemanha e Japão os maiores importadores. O consumo de mel na Alemanha é de 2,4Kg por pessoa por ano.

Dependendo da região, o período da florada é de quatro meses.

A apicultura é uma atividade muita antiga, sendo que suas origens estão na pré-história.

Caderno Rural
Suplemento especial encartado do jornal O Florense – Novembro 2004.
Textos: Danúbia Otobelli
Fotos: Danúbia Otobelli / Andréia Debon e Tatiana Cavagnolli

 

 

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